" Quem ama não mata."

angela-dinizFoto: Arquivo Google

No Fantástico, em 1976, eu estava lá e a Globo mostrou. Infelizmente, neste domingo, não me mostraram dizendo isso, mas a minha frase-título passou a ser usada e repetida para defender as vítimas do ódio e da violência. Ninguém mata por amor. Amor não é isso.
Angela Diniz e Lucia Curia foram as minhas melhores amigas. Tenho outras amigas que eu adoro, mas convivi mais com elas. Eu fiquei tão chocada com a morte física da Angela como com o seu segundo assassinato, desta vez da sua reputação.
Eu a defendi publicamente em nome da nossa amizade e em nome da sua família — sua mãe, seus dois filhos e sua filha. Ela foi uma mulher maravilhosa, apesar de não ter sido perfeita. Mas ninguém é perfeito. E a defesa de um canalha que mata a sangue frio uma mulher indefesa que queria se livrar dele é sempre torpe e tenta transformar o assassino em vítima. Não havia nenhum triângulo amoroso.
E se esse tipo de desculpa fosse aceito, coitada das prostitutas. A justificativa é que a mulher imoral merece ser assassinada (sendo ela imoral ou não). E o que é ser imoral? Não está satisfeito, vá embora. Faça a fila andar…
Ninguém tratou melhor da defesa do assassino que transfere a culpa para a vítima, que é assassinada novamente ao ser transformada num ser desprezível, do que o Dominick Dunne, que escreveu sobre o julgamento do assassino da filha para a Vanity Fair. Acabei lendo todos os livros dele sobre crimes famosos, uma ótima indicação da minha amiga Nelita Leclery, como sempre. Vale a pena ler todos os livros dele, inclusive o do assassinato da filha. (http://www.vanityfair.com/magazine/1984/03/dunne198403)

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