16 de fevereiro de 2026
Lucia Sweet

História mal contada

Mais uma história escandalosa mal contada, envolvendo a China e o atual governo do PT e sua filial no Rio de Janeiro

Importantes jornais e portais de notícia publicaram que os médicos do navio-hospital chinês “Ark Silk Road”, ancorado no Pier Mauá (Rio de Janeiro) desde 8 de janeiro de 2026, estariam prestando atendimento médico gratuito à população brasileira. O Globo, em reportagem publicada em 07 de janeiro, menciona tratamentos médicos e odontológicos gratuitos.

A “Revista Náutica”, em seu portal oficial publicou uma matéria no dia 9 de janeiro que informa que o Pier Mauá, na Zona Portuária do Rio de Janeiro, recebeu um visitante estrangeiro de peso na última quinta-feira (😎. Trata-se do navio-médico chinês, que veio em missão humanitária até 15 de janeiro para fornecer atendimentos médicos e odontológicos gratuitos à população, além de um intercâmbio profissional entre equipes brasileiras e chinesas da área da saúde e que a Marinha Chinesa planeja exercícios conjuntos com a Marinha do Brasil. Que eu saiba, exercícios militares conjuntos são feitos por aliados, com navios de guerra.

A Super Rádio Tupi, em 8 de janeiro anunciou o oferecimento de atendimento médico gratuito, serviços de clínica geral, cirurgias e odontologia sem custo para a população.

O Diário do Rio de Janeiro, em 13 de janeiro menciona “oferta de cuidados médicos gratuitos, como atendimentos clínicos, cirurgias e serviços odontológicos”.

O portal argentino de notícias, Zona Militar, atualizado, diariamente, com artigos, análises, vídeos com versões em espanhol e uma em inglês, o mais lido do mundo em língua espanhola, com grande audiência em redes sociais (YouTube, X, etc.), publicou em 09/01 uma matéria que noticia que o navio-hospital “Ark Silk Road” da Marinha da China chegou ao Brasil, como parte de sua primeira viagem à América do Sul em missão humanitária.

Trata-se de um dos navios-hospital da Marinha da República Popular da China. A matéria informa que, durante sua visita ao Brasil, o navio permanecerá no Rio de Janeiro entre os dias 8 e 15 de janeiro, período em que desenvolverá uma intensa agenda de cooperação médica e atividades conjuntas com a Marinha do Brasil. Além de oferecer serviços médicos gratuitos à população, o navio estará aberto à visitação pública e enviará equipes de especialistas ao Hospital Naval Marcílio Dias e ao Centro Médico Operacional da Marinha brasileira para a realização de intercâmbios profissionais.

A matéria também descreve as especificações técnicas do navio (deslocamento de 14 mil toneladas, 14 departamentos clínicos, 8 salas de cirurgia, 300 leitos, incluindo 20 de UTI, capacidade para 40 a 60 cirurgias diárias e menciona que, em escalas posteriores, como no Uruguai, também oferecerá atendimento médico gratuito, consultas especializadas e intercâmbios.

Foi então que o CREMERJ pediu formalmente esclarecimentos, nesta segunda-feira, à Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ).

O pedido foi motivado pelas informações divulgadas de serviços médicos e odontológicos gratuitos abertos ao público, o que gerou dúvidas sobre o cumprimento da legislação brasileira. O CREMERJ deu um prazo de 72 horas para que a Secretaria de Saúde do RJ respondesse se há, de fato, oferta de serviços de saúde à população; qual seria o público-alvo; se existe autorização formal das autoridades competentes e se a Resolução CFM nº 2.216/2018 está sendo cumprida.

Essa resolução exige registro temporário dos médicos estrangeiros no CRM, indicação de responsável técnico brasileiro e autorização formal para médicos estrangeiros atuarem em missões humanitárias ou de cooperação em território nacional — inclusive em navios.

O Conselho informou que também enviaria ofício à Marinha do Brasil. Isso tudo teria de ter sido informado antes do navio entrar em águas brasileiras e não depois de aportar.

Em resposta ao ofício (e à repercussão), a SES-RJ informou que não está sendo realizado nenhum atendimento médico à população no navio, e que a visita tem caráter exclusivamente diplomático e de intercâmbio institucional (sem agenda assistencial aberta).

Agora, quem está falando a verdade? A Embaixada da China e a marinha chinesa ou a Secretaria de Saúde do RJ?

E por que motivo a Marinha Brasileira não se dignou a emitir um comunicado oficial? Viramos uma bagunça total, desordem completa, confusão generalizada, onde ninguém respeita regras, cada um faz o que quer e impera a balbúrdia, a anarquia e o caos. E por que ninguém informa em que consiste a tripulação do navio?

Nenhuma publicação, até agora, atualizou ou mudou as informações publicadas.

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Jornalista, fotógrafa e tradutora.

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