9 de agosto de 2022
Lucia Sweet

De que tipo de gente eu gostaria


Às vezes eu penso em alguma coisa e fico sonhando. Hoje pensei em que tipo de gente eu gostaria que fizesse parte da minha vida, se eu pudesse escolher.
Em primeiro lugar, escolheria as pessoas boas – ricas ou pobres, cultas ou iletradas. São tão poucas. São um bálsamo para a alma. Quem é bom tem compaixão e é humilde.
Depois, os sábios.
Em terceiro lugar, viriam as que tem algum dom artístico: músicos instrumentistas, cantores, maestros, atores, autores, poetas, dançarinos, cozinheiros, doceiros, confeiteiros, cabeleireiros, maquiadores, costureiros, bordadeiras, jardineiros, paisagistas, tricoteiras, rendeiras, arquitetos, fotógrafos, cineastas, pintores, escultores, cirurgiões plásticos, joalheiros, figurinistas, cenaristas, desenhistas, perfumistas, etc.
Aprecio também os poliglotas e as pessoas cultas com senso de humor. Acho que são irresistíveis. Porque o erudito que se leva a sério, rampli de soi-même, é, como dizem os ingleses, unsufferable.
Gosto também, imensamente, das pessoas trabalhadoras, qualquer que seja o trabalho que façam, por mais humilde que possa parecer. E dos professores, médicos, enfermeiros, socorristas, engenheiros, bons advogados, etc. Todos tem o seu valor.
Não penso como muita gente que acha que ter dinheiro é uma qualidade. Ser rico deveria ser apenas o resultado de muito, muito trabalho, inteligência, criatividade, perseverança. E sorte, é claro. Na vida a sorte faz diferença. E isso se a pessoa já não nasceu rica. Um iogue me disse que quem em outra vida teve uma morte heroica, na próxima tem um nascimento privilegiado. Mas essa explicação só serve para quem acredita em reencarnação. Eu acho que é uma tese mais justa, você colher os frutos do que plantou, mas tenho lá as minhas dúvidas.
Não gosto das pessoas que criticam todo o mundo o tempo todo e adoram um gossip, apesar de ter gente que aprecia uma fofoca, do tipo: “— Se você não consegue passar cinco minutos sem falar mal de alguém, sente aqui do meu lado.” Mas acho que para escolher alguém para trabalhar conosco precisamos e devemos exercer o senso crítico.
E é claro que a beleza enfeita a vida, mas vaidade demais cansa. Aí entram os bambus floridos: bonitos por fora e ocos por dentro. Rapidamente perco o interesse. Aprecio, como admiro uma flor, um belo animal , uma paisagem.
Agora, admiro profundamente as pessoas elegantes e bem- educadas. Adoro. E sempre fico me perguntando: o que é a elegância e o bom gosto? Algo invisível, mas real.
E termino por aqui com as pessoas hors concours: são aquelas de quem eu gosto de graça. Simplesmente, por uma série de motivos, ou sem motivo algum, gosto delas e pronto. É uma questão de afinidade, de me sentir bem, confortável e alegre na presença delas.
Pois é. Enquanto tem gente que pensa em voz alta, eu gosto de pensar escrevendo. Se alguém acha que eu me esqueci de alguma qualidade, por favor, me lembre. Pensando bem, eu gosto e escolho a humanidade, em geral. Eu gosto de gostar. Ah, e amo as plantas e os animais. Quem não se lembra daquela figura pública que disse: — Cachorro também é gente. Apesar de simplório, acertou no afeto. E podemos acrescentar os gatos e outros animais. Beijos sweets

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Jornalista, fotógrafa e tradutora.

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