
Os jornais espanhóis ABC e El Mundo, dois dos mais importantes jornais da Espanha, publicaram ontem, dia 3 de dezembro de 2025, reportagens sobre a carta de Hugo Carvajal, o desertor venezuelano, para Donald Trump.
A importância desses jornais vai além da mera divulgação de fatos.
A matéria do ABC, com tiragem diária de 100 mil exemplares e forte presença digital, com mais de 20 milhões de visitas mensais, (a população da Espanha é de cerca de 48 milhões de pessoas) é exclusiva, baseada em fontes próximas a Carvajal, e destaca a “maquinaria delictiva de Maduro”. Sua credibilidade faz com que a carta seja vista como “confirmada” globalmente, podendo pressionar políticos espanhóis infiltrados pelo chavismo, como sugerido em análises recentes.
Já o El Mundo, o segundo jornal mais lido na Espanha, com cerca de 150 mil exemplares diários e 15 milhões de visitas digitais por mês, com reportagens investigativas premiadas a respeito de corrupção e análises profundas da crise venezuelana, com ênfase no narcotráfico e influência cubana, cobriu o caso Carvajal desde sua detenção em 2014, em Aruba, até a extradição em 2023 para os Estados Unidos. Sua matéria complementa a do ABC, como a participação cubana para o Cártel de los Soles.
A publicação simultânea em dois jornais diferentes na Espanha, reforça a autenticidade da carta, e a ordem para “inundar os Estados Unidos com cocaína”.
Trecho da matéria do jornal americano Dallas Express, o primeiro até a publicar a carta nos Estados Unidos:
“Escrevo para expiar meus pecados contando toda a verdade, para que os Estados Unidos possam se proteger dos perigos que testemunhei por tantos anos”, explica o major-general Hugo “Pollo” Carvajal em uma carta chocante endereçada a Donald Trump. O ex-chefe da Inteligência e Contra inteligência de Hugo Chávez e Nicolás Maduro, preso nos EUA após ser extraditado da Espanha, declarou-se culpado em um tribunal federal.
O jornal Dallas Express obteve a carta, que confirma fatos já conhecidos sobre o Cartel dos Sóis, mas acrescenta a nova informação de que foram os cubanos que sugeriram o plano de inundar os EUA com cocaína. Carvajal também revela a estratégia do regime bolivariano de usar gangues criminosas, como o Tren de Aragua, para defender seus interesses. O governo bolivariano as armou e financiou desde o início.
“As políticas do presidente Trump contra o regime criminoso de Maduro não são apenas justificadas, mas necessárias e proporcionais à ameaça. Ele pode até estar subestimando o que o regime está disposto a fazer para se manter no poder. Eles têm planos de contingência para qualquer cenário extremo, para garantir que nunca percam o controle”, alertou alguém que participou da elaboração desses planos. Até o momento, Trump não aceitou as diversas propostas de Maduro, que buscam manter o controle do chavismo sobre o país a qualquer custo.
Cartel dos Sóis: “Eu testemunhei pessoalmente como o governo de Hugo Chávez se transformou em uma organização criminosa, agora liderada por Nicolás Maduro, Diosdado Cabello e outros altos funcionários do regime. O objetivo dessa organização, agora conhecida como Cartel dos Sóis, é usar as drogas como arma contra os Estados Unidos”, explica alguém que já foi uma figura todo-poderosa durante o governo Chávez. Carvajal alertou que o chavismo criou novas rotas para o contrabando de cocaína para os EUA, um plano originalmente concebido por Cuba, que forneceu seus agentes e foi executado com a colaboração, como já se sabia, das guerrilhas colombianas FARC e ELN. “O regime forneceu armas, passaportes e impunidade a essas organizações terroristas para que pudessem operar livremente a partir da Venezuela”, afirmou o major-general.
Tren de Aragua: “Eu estava presente quando foram tomadas as decisões de organizar e usar gangues criminosas em toda a Venezuela como armas para proteger o regime, incluindo o grupo conhecido como Tren de Aragua. Chávez ordenou o recrutamento de líderes criminosos dentro e fora das prisões para defender a revolução em troca de impunidade”, revelou Carvajal em sua carta. Com a morte do comandante supremo, Maduro foi ainda mais longe, “exportando o crime e o caos para o exterior”, com o objetivo de reduzir os índices de criminalidade na Venezuela e atacar exilados. “Quando a política de fronteiras abertas de Biden-Harris se tornou pública, eles aproveitaram a oportunidade para enviar esses agentes aos EUA”, confirmou a fonte exigente, que aproveitou a ocasião para alertar Washington sobre a presença de membros da gangue Tren de Aragua em seu território.
Russos: “Eu estava presente quando a inteligência russa chegou a Caracas para propor a Chávez a interceptação dos cabos submarinos de internet que conectam a maior parte da América do Sul e das ilhas do Caribe aos EUA, a fim de penetrar nas comunicações do governo americano”, revelou o confidente do líder da Revolução Bolivariana, que começou a perder poder durante a presidência de Maduro. “Eu o avisei que permitir que a inteligência russa construísse e operasse um posto de escuta secreto na Ilha de La Orchila um dia provocaria bombas americanas. Ele me ignorou”, queixou-se Carvajal a Trump.
Cubanos: “Eles se gabavam de ter enviado milhares de espiões por décadas, alguns deles agora políticos de carreira”, afirmou El Pollo. Diplomatas americanos e agentes da CIA receberam pagamentos para ajudar Chávez e Maduro a se manterem no poder, atuando como espiões para Cuba e Venezuela. Alguns permanecem ativos até hoje, concluiu o major-general.”
O Miami Herald (EUA) também cobriu a carta, focando nas alegações de que Maduro “armou” drogas e gangs contra os EUA, com ênfase nas colaborações com FARC, ELN e Hezbolá.
A agência de notícias espanhola, EFE, via Hola News publicou hoje uma análise da carta, destacando a conexão de Maduro com o Cartel dos Sóis e a colaboração com Cuba.
El Tiempo (Colômbia) incluiu o papel das FARC e do regime cubano no plano de narcoterrorismo.
Outros veículos como RPP (Peru), The Objective (Espanha) e TalCual (Venezuela) também deram cobertura ampla, mas os acima são os mais proeminentes em termos de alcance internacional.
Links para alguns dos jornais.

