O novo e o velho


A mídia da beleza infinita está mudando de foco e a indústria que se alimenta dela está se reinventando.
Antes tudo estava direcionado para o público jovem, mulheres de pele lisinha, corpos curvilíneos, rapazes sarados, com hormônios até os bigodes.
O brasileiro envelheceu.
As mulheres estão assumindo seus cabelos brancos, cansadas das tinturas que as escravizavam, e os homens ainda estão tentando se reinterpretar em meio a essas mudanças todas porque não há virilidade eterna. E nem “azulzinha” que remedie o envelhecimento.
Há um tempo, as marcas de cosméticos vêm quebrando seus paradigmas e explorando a beleza da maturidade. Nunca antes se imaginou ver vovozinhas risonhas estrelando campanhas publicitárias de cosméticos. Já não são raras.
Esse mesmo público, que se pretende que trabalhe mais, que tenha uma vida produtiva para além das cadeiras de balanço e banho de sol às oito da manhã, precisa de melhores ganhos e cuidados com a saúde.
Uma equação tão simples que chega a ser ridícula; não é possível que os políticos não entendam. Se matarem de fome e desprezo seus velhos, sacrificarão um cofre bastante rentável. Nada disso é novo, é tudo bem velho.
Para isso falta uma vida mais fiel ao modo de nossos antepassados, com avanços do presente.
Antes, as pessoas tinham uma jornada exaustiva mas, em geral, se alimentavam de maneira mais saudável. Como prega o atual e caríssimo universo orgânico.
A saúde é a única fórmula de garantia de futuro em qualquer país. Algumas coisas mudam e outras permanecem como estão. Apenas alteram os nomes.
Quem está investindo nesse filão está enchendo as burras muito rápido. O exemplo é o convênio de saúde que atende cinquentões para mais em São Paulo e vêm inaugurando centros médicos e hospitais com extrema velocidade. Quem sustenta tudo são os velhinhos. Nada de bom mocismo nisso, é negócio mesmo.
Para rever a previdência e deixar de tratar a vida madura como um estorvo social é preciso mudar antes os princípios e gerar alternativas de sustento.
Antes disso tudo vira retórica. O Brasil sempre se demora a adotar novos conceitos ou rever os velhos.
Só que o tempo é o único que não se negocia.

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