Bolsonaro cogitou ressuscitar um ministério que nunca existiu

“Dividir a pasta da Justiça e Segurança Pública só poderia ter como único propósito tirar autoridade do ministro Sergio Moro”
De todas as ideias ruins que já apareceram no governo do presidente Jair Bolsonaro essa de ressuscitar o falecido “Ministério da Segurança” é positivamente uma das piores. Esse “ministério” nunca existiu.

Foi uma invenção do governo Michel Temer para fingirem que estavam “fazendo alguma coisa” para combater o crime, que então batia recordes sobre recordes – e como é da melhor tradição da vida publica brasileira, sempre que o governo não tem a menor ideia do que fazer para resolver um problema, cria um ministério para cuidar do problema não resolvido e declara que o assunto está, enfim, solucionado.

Na ocasião, foi apenas isso – a velha trapaça de sempre para enganar o público pagante. Agora a conversa é outra, e muito pior.

O tal “Ministério da Segurança”, como se sabe, foi extinto com a eleição do presidente Jair Bolsonaro e fundido com o Ministério da Justiça entregue ao ministro Sergio Moro – nenhuma novidade, aliás, porque as coisas já eram exatamente assim antes da invenção de Temer.

Nunca houve, portanto, a ideia de “fortalecer” Sergio Moro, mas apenas de lhe entregar o Ministério da Justiça como ele sempre foi, sem a amputação das áreas que havia sofrido no governo anterior. Agora, fala-se em separar de novo – e, aí, o único propósito só pode ser o exato contrário, ou seja, tirar autoridade do ministro da Justiça.

Alívio para o crime

Estão trás disso gente que quer ficar com o ministério ressuscitado, políticos ansiosos em ter influência na polícia, secretários estaduais de segurança inconformados com a queda nos números da criminalidade – querem que o crédito vá para eles, e não para Moro.

Há, enfim, os que querem coisa ainda pior: um alívio para as organizações criminosas que controlam o tráfico de drogas, a venda de armas e o contrabando. Bolsonaro, por sua vez, deixa mais uma vez o barco andar com essas histórias. É o seu jeito de mostrar para Moro e para o resto do mundo que “quem manda aqui sou eu”.

Esse tipo de pescaria em água suja é uma praga.

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