Vocês conhecem os bolsonoias?


Quando vim me exilar no interior de São Paulo, me encantei com algumas expressões tipicamente paulistas.
Por exemplo: você agradece e eles dizem: “imagina!”.
Eu ficava assim: “ué, imagina o quê?!”
Tretar com paulistas também é difícil para mim, porque, quando ficam bravos, falam coisas do tipo:
– pô, meu?! Você tá me tirando?! Mas você é xarope, hein?!
Eu acho graça e a vontade de tretar passa.
Aliás, até a palavra “treta” é divertida.
“Noia” é uma das expressões genuinamente paulistas que aprendi aqui: designa o indivíduo obcecado por alguma coisa, em geral um vício.
Acho essa definição perfeita para ser aplicada a um tipo de gentes que pulula nas redes sociais: os bolsonoias.
Os bolsonoias são pessoas que sofrem de uma dependência metafísica do Bolsonaro.
Direcionam suas energias, atenções, droga, direcionam suas VIDAS a tudo que o Bolseiro escreve, diz ou faz.
Infelizmente, de forma negativa.
Coisa de louco, pai.
Aposto que acordam com a palavra “Bolso” nos lábios e dormem sonhando com o presidente ajeitando o seu cobertor e afofando os travesseiros. Talvez até com beijinho de boa noite, quem sabe?
Acredito que nem o que eles chamam de “minions” nutram uma obsessão assim.
Os bolsonoias acreditam que são imbuídos de uma missão: esclarecer a todos nós, bárbaros incultos que votamos no Bolseiro, sobre o quão malvadão ele é.
Os bolsonoias creem-se pessoas iluminadas, detentoras da verdade universal, e tem a obrigação moral de compartilhá-la conosco, simplórios botocudos.
Por um tempo ainda acreditei que os bolsonoias seriam capazes de ver algo de bom no governo.
Mas o fato é que, se Bolsonaro fizer chover no sertão nordestino, no Saara e no deserto de Gobi, SIMULTANEAMENTE, os bolsonoias vão dizer:
– pô, só faz besteira: tô cheia de roupa no varal!
Ou:
– aí, tá vendo?! ACABEI DE LAVAR A KOMBI!
Bolsonoias… Bah.

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