Retrato do Brasil em Amarelo e Vermelho

Foto: Arquivo Google – IG Delas

Duas notícias hoje me chamaram a atenção e corroboram uma tese minha.
Os problemas do Brasil, amigos e vizinhos, não foram e não serão, nem de longe, solucionados apenas com o impeachment de Lady Dee e o encarceramento de Mr. Loo.
Vamos a elas.
A primeira: uma famosa cervejaria anunciou uma nova marca de cerveja com o DOBRO do teor alcoólico tradicional.
No anúncio, enfatiza-se que a beberagem amarela é “inspirada nas batidas do funk carioca.”
Faz todo o sentido para mim. Para vocês não? Vejamos.
Uma forma de “música” – vamos chamar assim, na falta de nome mais adequado – cujas letras, em sua maioria. enaltecem o sexo sem compromisso, a violência, o uso de drogas e afins, serve como “inspiração” para uma bebida com capacidade duplicada para potencializar tudo isso.
Que tal?
Eu acho triste. Triste pacas. Principalmente quando sabemos que, para os jovens de hoje, “beber” é rima e sinônimo para “lazer”.
Mas eu prometi duas notícias, então lá vai a segunda. Tapem o nariz.
Uma atriz – que, honestamente, desconhecia até hoje – deixou-se fotografar usando sangue menstrual em uma espécie de ritual, que pretende misturar “empoderamento” feminino com uma dose de paganismo.
Nesse ato prova-se outra tese minha: parece que o Brasil foi escolhido a dedo para ser usado como uma espécie de “laboratório social” gigantesco.
Onde mais bizarrices como essa, dignas de um filme de Fellini ou das atrações grotescas do circo de Barnum e Bailey, teriam lugar?
O tal “ritual” pretende “chocar” – acreditando na ideia caquética de que arte precisa chocar a tal “família tradicional”. Mas essa ideia de arte como símbolo de transgressão já é velha desde os anos 60.
(Aliás, o que choca a “família tradicional” é o preço do biscoito recheado e do iogurte para as crianças. Esse pessoal deveria saber.)
Mas o ato, além de repulsivo, torna clara outra característica desses tristes trópicos: a gradual dissolução das fronteiras entre o público e o privado, entre o sacro e o profano.
O que deveria ser produto da intimidade mais resguardada, o sangue menstrual, antes usado como símbolo do ingresso das meninas no mundo das mulheres, é agora publicizado, banalizado, tornado bandeira de algo muito menos nobre: a politização rasteira.
Se a bossa nova de “Retrato em Branco e Preto” foi o símbolo de um Brasil mais elegante, sutil e feliz, os tempos de hoje exigem uma nova trilha.
O “Retrato em Amarelo e Vermelho”, onde o antigo Brasil é representado pelo amarelo da cerveja que escorre pela urina e o vermelho do sangue menstrual.
Encomendem a um MC.

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