25 de julho de 2024
Joseph Agamol

Rambo e o ocaso da masculinidade


Asqueroso: aquilo que causa nojo, asco. Repugnante.
Assim uma crítica de jornal definiu a nova aventura de Rambo, personagem criado por Sylvester Stallone.

Fiquei matutando: o que haveria de tão ignóbil no filme, a ponto de motivar uma reação tão virulenta?
Gafanhotos caramelizados? Cachorro-quente com purê e ovo de codorna?
Não. É só um filme de Stallone, com tudo que vem em seu bojo: ação, pancadaria, alguma violência, a eterna luta do Bem contra o Mal.
Mas era de se esperar uma resposta assim da nossa imprensa militante.
A qualquer sinal de níveis mais elevados de testosterona, ainda que numa mera obra de ficção, jornais, revistas, mídia impressa e virtual reagem em coro uníssono e mostram os dentes em desaprovação.
Stallone sofre agora, como Clint Eastwood, Sean Connery, Arnold Schwarzenegger, todos ícones de um modelo de masculinidade que parece não apenas algo a ser ultrapassado, mas um símbolo do que deve ser combatido e eliminado.
A todo momento surgem matérias, reportagens, notinhas, enfatizando o valor do “novo” homem, em detrimento dos representantes dos dinossauros acima citados:
Uma hora “informam” que as saias “invadiram” o guarda-roupas masculino, outra que a maquiagem para marmanjos é uma “tendência”…
Nas séries de televisão, os novos heróis são homens sensíveis e delicados: os vilões são sempre associados a brucutus boçais e sem coração.
Em grandes desfiles de moda, talvez em breve se faça necessário indicar o gênero de quem está na passarela: modelos homens e mulheres tornam-se cada vez mais indistintos.
Entendam: nada contra a sensibilidade, o sutil, o delicado…
Mas é que parece que essas características foram alçadas ao patamar máximo das qualidades que o homem deve alcançar – ao que eu penso que deveria existir a convivência pacífica e harmônica entre o masculino e o feminino.
Holisticamente, para usar um termo da moda.
O fato é que a masculinidade como a conhecemos está sob pesado ataque e o objetivo parece claro:
Demonizar e sufocar, nos meninos de hoje, todas as características que eram valorizadas e desejáveis nos homens do passado.
Tornando o apenas ser homem e tudo que lhe é inerente algo… tóxico.
Para usar outra expressão da moda.
Em breve, filmes como “Rambo” e “Cobra”, de atores como Stallone e Schwarzenegger, Clint, Charles Bronson e outros exemplos do “homo toxicus”, não poderão mais ser vistos nos cinemas.
Serão exibidos apenas em canais de tv como Animal Planet e National Geographic.
Nos programas dedicados às espécies extintas.
Joseph Agamol

Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

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