Que o eclipse não seja um buraco negro

Imagem: Abdullah Evindar

Os vikings acreditavam que um lobo cósmico engolia o sol. Faziam ruídos intensos para afugentá-lo e fazer com que “devolvesse” o astro.

Os antigos iugoslavos seguiam na mesma linha, digamos, lupina: para eles, um lobisomem chamado Vukodlak era o culpado pelo desaparecimento do astro-rei. Enquanto para alguns povos siberianos, um vampiro era o responsável.

Para mim, o fenômeno celeste que se aproxima pode ser visto como uma metáfora para o momento que estamos vivendo.

Nossa sociedade atravessa uma espécie de eclipse, que obscurece nossa civilização e tudo que ela representa e possui: a cultura e a liberdade.

Eu vejo o eclipse da próxima segunda-feira como o homem primitivo que, no fundo, eu ainda sou: com olhos assustados em meio à vegetação da savana, ouvindo os predadores bramindo ao redor.

Só me resta esperar que a escuridão passe e a luz volte a brilhar.

Que o eclipse não se torne um buraco negro.

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