Quando éramos elegantes


Fazia menos calor.
Em contrapartida, éramos mais… calorosos. Sei lá.
Compaixão é elegância.
Empatia também.
Maquiagem era o mínimo: no máximo um cheiro de shampoo em cabelo molhado, que deixa toda mulher mais bonita.
Solidão era o mínimo. Melancolia. No máximo um caminhar só pela praia. O canto das ondas.
(Diz que o barulho das ondas são sereias sonhando.)
Boné quase não havia. Chapéu sim. Guarda-sol. Terno. Sapatos de couro. A roupa toda parecia costurada no corpo.
Em toda foto antiga sorrisos solidificados no rosto.
Fragmentos do cristal do tempo. Lágrimas de vidro e gelo.
Cacos de vida na calçada das estações.
Outono. Maio. Tulipas. Amores Perfeitos.
Cheiro de madeira. Violão. Um banquinho.
Um Tom.
Guimarães de todas as rosas do mundo.
Café no copo americano na Colombo.
Um rat-pack: Sinatra. Dean. Sammy.
A gentileza da chuva que nos colocava para dormir.
Eu evoco todas essas sensações que nunca se foram, de fato.
Porque elegância é sobre ser, muito mais do que ter.
Como Sean Connery, eterno e além de todos os tempos e universos, cristalizado em um instante de um átomo que atravessa todas as eras de todas as jornadas, findas ou a porvir.

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