Por um ano novo mais analógico

Acabei de ver que uma amiga automatizou toda a casa usando a Siri, a inteligência artificial da Apple. Desconfio que ela vai conversar mais com a simpática Siri do que com o marido e os três filhos.

Não me entendam mal: eu amo a tecnologia e suas facilidades.
Quem poderia ser contra, por exemplo, a ter acesso, com um simples toque dos dedos, aos acervos dos maiores museus do mundo? Ou às grandes bibliotecas? A todo um arsenal de conhecimento ao qual nem reis e imperadores, há pouco mais de 100 anos, podiam sequer sonhar em possuir?
É que eu sou parte de uma geração que nasceu analógica e que precisou, para não ficar para trás, se tornar digital. Que em breve ficará na poeira dos tempos, também. A estrada. Nunca termina. Nós é que vamos ralentando, ralentando, até um dia nos fundirmos a ela. Amálgama.
Assim, eu me pego pensando em analogias e analógicos.
Sean Connery, que se tornou amálgama este ano, é analógico. Clint Eastwood, cujas botas ainda persistem, também. Paul Newman.
Elvis, analógico puro. Beatles. Frank Sinatra. Tony Bennet. Goleada.
E Audrey Hepburn? Marilyn? Ava? Elizabeth Taylor. 7×1.
Tolkien, analógico até inventando línguas. C.S. Lewis. Chesterton. Scruton.
Mestres.
Não consigo pensar em nada mais analógico do que a Fé.
Que foi, é, e continuará sendo, a única força nesse mundo a nos pegar pela mão e nos levar pelas trilhas e veredas, por vezes estrada limpa, por vezes escarpas e lamaçais, que chamamos de Vida. Até que viremos amálgama e nos tornemos, parte dela. Enfim. Em si.
Desfrutemos, portanto, a vista. A viagem. Que seja longa.
(Texto: Joseph Agamol foto: Paul Newman, mais um analógico, que parece estar contemplando a estrada até aqui, em imagem de Carlo Pescatori)

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