24 de julho de 2024
Joseph Agamol

Pedro, O Gigante

Imagem: “Retrato de Dom Pedro II na infância”, óleo sobre tela de Arnaud Pallière)

Mangavam dele, como dizia minha avó.

Faziam troça de sua casaca puída, de seu manto antiquado de papos de tucano.

Zombavam de sua mania de “andar enfiado com a cara nos escritos”.

Faziam comparações desfavoráveis com seu pai, tocador de violão, cavaleiro exímio, espadaúdo e despachado, em contraste com seu jeito taciturno, quase tímido para um imperador.

Faziam chacota de seu pouco apreço pelas liturgias da corte:

“Que maçada!”, reclamava, diante de uma festa, de um jantar, de uma cerimônia.

Não era homem de cerimônias: era um homem dos livros.

Dizia que tornou-se imperador por acaso e necessidade – mas o que queria mesmo… ah, o que queria mesmo era ser PROFESSOR.

Ao contrário de tantos que o sucederam, jamais subtraiu algo do Brasil: ao contrário, sempre doou de si para o país que amava.

Eu disse que nunca subtraiu? Errei: levou consigo um pouco da terra da sua terra, ao ser deposto por um covarde golpe – sim, um golpe de verdade.

Diziam que já nasceu velho.

Pois eu digo que ele entrou na eternidade exatamente como o menino dessa imagem: com seus brinquedos simples, seu tamborzinho, seus amigos.

E, nesse momento, está pulando carniça com as nuvens, feliz como sempre quis ser.

Dom Pedro II, o menino-rei.

Joseph Agamol

Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

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