Pé de pato mangalô três vezes

Vou falar da nova moda do Facebook.

Não, não é o avatar. É a encheção de saco dos que se acham os peekas galácticos, os phodões dos buracos negros, os novos cruzados, sem capa, sem espada, sem armadura – e que, se ouvirem um traque, sairão em desabalada carreira.

Vou falar procês, viu? Tenho um desgosto de gente besta, que se acha superior, de homens que se acham mais homens que os outros e mulheres que se acham mais gostosas que as outras que vou te contar.

Eu, por exemplo. Sei cozinhar marromenos.

Minha japa diz que acha sexy quando estou na cozinha. Não me caem as mãos por a roupa pra lavar, tampouco.

Fiz Krav-Magá na adolescência e sei chutar uns pontos fracos.

Já bati. Já apanhei e tenho um monte de cicatrizes.

Tenho mais de dez tatuagens, já expeli um cálculo e já extraí a vesícula.

Escrevo marromenos.

Tenho um polegar fraturado desde que me entendo por gente.

Possuo um “sentido de aranha” que me alerta contra quem não vale o arroz com bofe que come.

Quase não falha. Já comi arroz com bofe.

Às vezes não tinha nem isso.

Fui atropelado duas vezes.

Tenho uma perna mais curta que a outra. Um nariz com desvio.

Já me apontaram arma algumas vezes. Já salvei vidas. Já estive em meio a mais tiroteios do que gosto de lembrar.

Tudo isso, cada gota de suor, de sangue, cada músculo, tendão, ossos, sinapses e alma que me compõem não me fazem um micrograma maior ou menor do que ninguém.

Se vou fazer meu avatar? Acho que não. Mas não vou encher o saco de quem quer se divertir.

Monteiro Lobato errou: não é que o Brasil tenha “pouca saúde e muita saúva”.

Tem é muita gente besta enchendo o saco de outrem.

Pé de pato mangalô três vezes.

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