Palavras de Martin Luther King

Eu guardo comigo as palavras de Martin Luther King, como numa prece: “Eu escolho o amor. O ódio é um fardo muito pesado para se carregar”.
Foto: Leonard Freed
Estamos em 1976, no Harlem, à época um dos bairros mais pobres e violentos de New York City.
Malcolm X e Martin Luther King estavam mortos, consumidos pelo que combatiam.
A tensão podia ser quase cortada com uma faca, de tão sólida.
Mas havia uma policial, branca, e um bando de crianças barulhentas, negras. Que, em meio ao caos de Nova York, esquecem de tudo: sua função, sua origem, o trabalho, o lixo na rua naquele dia cinzento, as obrigações, a vida dura tanto para uma quanto para outros, o preconceito, o ódio, tanto ódio no ar… e se põem a brincar.
Brincar, cara. Como pode? E brincam tanto, tanto, que, ao fim e ao cabo, descobrem que não são mais policial, branca, negros, ofício, raça, nada, nada.
Na espiral de tanta brincadeira, as cores se confundem, se fundem, unem-se… como numa canção de Jorge Ben. E se surpreendem o mesmo. Como devia ser. Como é. Como um dia será. Eu torço. Eu rezo.
Eu guardo comigo as palavras de Martin Luther King, como numa prece: “Eu escolho o amor. O ódio é um fardo muito pesado para se carregar”.
Essa policial e essas crianças, que brincam sem se preocupar com cores, na Nova York de 1976, talvez não conhecessem essas palavras de Martin Luther King.
Não importa: elas praticavam.

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