O Rio tem quatro – 4 – ex-governadores presos

Imagem: Arquivo Google – Portal Multiplix

Eu era um menino sem eira e nem beira lá no Complexo do Alemão, Rio de Janeiro.
Muitas vezes acordava de manhã e não sabia qual seria – ou se teria – o almoço.
Queria uma vida melhor. Queria um carro, queria viajar, queria roupas bacanas.
Cresci e consegui algumas dessas coisas. Não tudo que desejei, claro. Ainda não tenho – provavelmente nunca terei – uma Ferrari Testa Rossa, por exemplo.
Tô nem aí.
Como diria a Go Go Yubari, a guarda-costas teen da Oren Ishii, a chefona da máfia japonesa em “Kill Bill”, Ferraris são “lixo italiano”.
(aliás, se vocês ainda não viram Kill Bill, vejam – um dos melhores filmes de todos os tempos. O novo do Tarantino, “Era uma vez em Hollywood”, infelizmente, é muito ruim…)
Então.
Mas com certeza eu não venderia minha alma – e se você não acredita em alma, substitua a palavra por “honra”, por exemplo – por 30 vinténs ou 300 milhões.
Todo esse nhé-nhé-nhé (caras, como essa expressão soa ANTIGA!) é a propósito das notícias de hoje.
Quatro ex governadores do Rio chegaram a ser presos. Não sei se foram ou serão inocentados do que foram acusados. Só sei que eles tiveram chance de serem GRANDES – e não aproveitaram.
Esses caras – e essa dama – tiveram a oportunidade de fazer a diferença para uma população tão necessitada – mas as suas necessidades vieram primeiro: como naquele desenho do Pica-Pau, carrões, iates, etc. se sucediam, à revelia de partidos e ideologias, já que o que importava era encher as burras de dinheiro, dinheiro que, se mais mil vidas tivessem, mil vidas não seriam bastantes para gastar.
Eu não tenho – ainda mas acho que nunca terei – uma Ferrari Testa Rossa na garagem.
Sei que os quatro ex-governadores provavelmente podem ter uma frota delas, se assim o desejarem.
Sei também que um dia se livrarão da cadeia de vez e usufruirão de todo esse patrimônio – mil vidas! – provavelmente obtido às custas da saúde, da educação, da ALMA do povo carioca e fluminense.
Mas essa marca ficará neles para sempre – suas fotos fichados, seus uniformes laranja, seus cabelos cortados, sua liberdade tolhida, sua comida barata, serão indeléveis em sua memória e na do povo que vilipendiaram.
Ganharam dinheiro para mil vidas se mil vidas tivessem – mas perderam a alma.
Provavelmente nunca tiveram.

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