O Rei George, Stephen King e o triunfo do Bem

Foto: Winston Churchill e o rei George VI – créditos Getty Images
O novo livro de Stephen King, “If it Bleeds”, traz de volta uma personagem que se tornou querida dos fãs: a detetive Holly Gibney. Holly, que apareceu primeiro na chamada “Trilogia Bill Hodges” – que se tornou série na Amazon Prime – é uma moça tímida, avessa a contatos sociais e possuidora de T.O.C. em elevado grau.

Na “Trilogia”, ela enfrentou um psicopata com poderes paranormais. Em “Outsider”, seu segundo livro, perseguiu uma criatura que assumia os rostos de outras pessoas – e as culpava por seus crimes. E, em “If it Bleeds”, se depara com um metamorfo que se alimenta de dor e tristeza – e que, para isso, causa incidentes para provocar esses sentimentos.

Holly descobre a existência da criatura por acaso – através de uma improvável pinta no rosto. O que a leva a refletir que parece haver uma força maior que trabalha para o Bem. Que, de uma forma ou de outra, o Bem torna-se uma torrente de energia impossível de ser contida – até que seu propósito seja estabelecido.

Lembrei de Holly Gibney ao assistir “The Crow” ontem, no episódio em que a simpatia pelo nazi-fascismo do Duque de Windsor, Eduardo, é revelada. O Duque tinha sido o rei Eduardo VIII, por menos de um ano – abdicou da coroa da Inglaterra para poder casar-se com Wallis Simpson, uma socialite americana.

As motivações amorosas do ex-rei não me interessam – mas sim a improvável cadeia de acontecimentos que levou à sua abdicação do trono. Abdicação que foi bastante lamentada por Adolph Hitler, que via no então Eduardo VIII um personagem muito mais adequado aos seus interesses.
A abdicação de Eduardo levou ao trono seu irmão, Jorge VI – aquele de “O Discurso do Rei” – que tornou-se, junto com Winston Churchill, um símbolo da feroz e obstinada resistência inglesa ao nazi-fascismo.

Acasos. Ou não.

Eu encerro com as palavras de Holly, em uma carta para seu amigo policial Ralph, ao descobrir que o “acaso” que a colocou na pista de outra criatura das trevas, foi, na verdade, um instrumento para o triunfo do Bem:

“Eu me lembro de outra coisa que você disse uma vez, Ralph: ‘existem as Trevas no mundo, mas também existe uma força do Bem’. Foi assim que me envolvi, por um pedacinho de papel que podia facilmente ter voado com o vento. Talvez algo QUISESSE ser encontrado. Pelo menos é como gosto de pensar. E talvez essa mesma coisa, essa força, tenha mais uma tarefa para mim. Porque eu acredito no inacreditável.”

Eu também, Holly. Eu também.

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *