22 de julho de 2024
Joseph Agamol

O Homo cabisbaixus ou: o Homem Marabu

Foto: Sharon McCutcheon

Sabem aqueles programas de E.T.s, amigos e vizinhos? Tipo “Alienígenas do Passado”?

Então.

Volta e meia há especulações sobre como será uma eventual evolução física do ser humano.

Alguns preconizam que perderemos alguns dedos, que a cabeça aumentaria para acompanhar um crescimento do cérebro (coisa da qual duvido um pouco vendo alguns representantes da classe política brasileira) e afins.

De uma coisa tenho certeza: o homem do futuro será curvado.

Hoje, na padaria onde costumo tomar café – com Coca-Cola, me julguem – uma cena que já é absolutamente corriqueira me chamou atenção.

E justamente por ter se tornado corriqueira.

Uma família em uma mesa próxima terminava seu café: mãe e três filhos adolescentes e pré-adolescentes.

(Parênteses: como se a adolescência em si já não fosse suficiente, ainda criaram a pré, encurtando ainda mais uma infância que é cada vez mais curta)

Os três jovens sentados, curvados sobre seus celulares.

Pareciam marabus, uma ave exótica africana.

A família levantou.

Os três jovens caminhando, curvados sobre seus celulares. Foram até o caixa.

Curvados.

Saíram da padaria.

Curvados.

Não me entendam mal: eu amo tecnologia e meu celular é uma pequena usina de força, onde trabalho, estudo, me divirto…

Mas na hora lembrei do que diz Jordan Peterson, sobre a importância e influência da postura sobre a mente: andar curvado causa sobre o cérebro um efeito semelhante ao físico.

Corpo curvado, alma cabisbaixa.

É claro que estou resumindo e simplificando tremendamente uma tese.

É claro que não basta sair por aí fazendo a pose do Superman – mãos na cintura e cabeça erguida, e que alguns acreditam que causa efeito positivo sobre a mente – para acabar com a depressão, por exemplo.

Mas, se a tendência do ser humano do futuro é ser um homem-marabu, eu proponho como antídoto a receita do compositor Walter Franco:

“Tudo é uma questão de manter
A mente quieta
A espinha ereta
E o coração tranquilo…”

Joseph Agamol

Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

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