23 de maio de 2022
Joseph Agamol

O grande problema da Educação brasileira 

Por 20 anos, lecionei em escolas cariocas – a grande maioria situada em regiões “de comunidade”.
O eufemismo começou a ser usado lá pelos anos 90, dentro do programa “novilinguístico orwelliano” de renomear as coisas, adequando-as à força ao pensamento esquerdista.
Nós chamávamos era de “favela” mesmo, moradores e quem trabalhava lá: era nossa forma de resistir ao rolo compressor ideológico que se preparava para assumir, por mais de uma década, o controle do Brasil.
Acho que foi por essa época também que se disseminaram as camisetas com mensagens supostamente engraçadas, como a “não me assalte: sou professor”.
Eu nunca achei graça.
Hoje percebo que as tais camisetas engraçadinhas faziam parte de um todo maior, de um projeto de desconstrução – para usar uma palavra tão ao gosto dessa turma – de parte importante de um dos pilares da sociedade, que a eles interessava solapar aos poucos: a Educação, na figura do respeito ao professor.
Que, aliás, dentro da mesma proposta semântica que transformou “favela” em “comunidade”, deixou de ser “professor” para tornar-se um “profissional da Educação”.
Toda a aura quase mítica embutida e aderente à palavra “professor” e o respeito automático junto à ela ruía por terra: um “profissional da Educação” era apenas uma criatura resmungona, sempre chorando sua condição quase miserável, uma figura caricata a ser representada de forma farsesca em humorísticos pastelão da TV.
Morria, assim, o antigo professor, o mestre, encarnado nas figuras de personagens como o de Sidney Poitier, em “Ao Mestre, com Carinho”, e tantos outros.
Ao atingir a imagem do professor, sua autoridade, antes incontestável, desabou: o novo “profissional da educação” era alguém digno, no máximo, de pena.
Ao substituir o insubstituível professor pelo “profissional da Educação” o caminho estava aberto para as mudanças profundas que seriam feitas no Brasil ao longo dos anos posteriores – e cujo pontapé inicial foi a derrubada da figura simbólica do professor e do respeito que dela emanava.
Todo projeto de reconstrução da Educação brasileira só terá sucesso se, antes, recuperar o respeito e o amor à figura do professor.
Principalmente o amor-próprio.

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Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

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