Hoje minha máquina do tempo particular vai nos levar até o ano de 1973

Foto: Joseph Crachiola
Estamos em Michigan, em um dia nublado do fim de julho.
O fotógrafo Joe Crachiola caminhava pelas ruas, em busca dos fragmentos de vida que são as imagens.
Em uma esquina, Crachiola topou com um grupo de crianças, brincando na rua molhada pela chuva recente. E ele diz que nada foi planejado: as crianças simplesmente se abraçaram – e ele fez a foto.
Um fragmento de vida.
Crachiola diz que até hoje tenta fazer uma foto tão bonita.
Em 2013, o fotógrafo entrou em contato com as crianças, então já todas na meia-idade. Uma delas, Kathy Macool, que aparece com seu irmão Chris, perguntada sobre a ausência total de preconceitos demonstrada pela imagem, disse apenas:
– Minha mãe nos criou para sermos daltônicos. Para não enxergarmos cores.
Eu vejo essa foto, amigos, essa porção de vida, para sempre eternizada em um dia nublado, em Michigan, em 1973, e penso que eu gostaria de ficar por lá, mesmo, nesse mundo de pessoas que se abraçam sem distinguir cores.
E me pergunto:
– Como foi possível caber tanto amor, amizade e companheirismo em um simples abraço?
– E quando foi que as pessoas deixaram de ser daltônicas?
Fotografias são máquinas do tempo – e porções de vida.

Notícias Relacionadas

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *