Eu sou o rei das gafes

Imagem: Google Imagens – YouTube

Sério. Quer dizer, não. Minto. Rei nada. Eu sou é Imperador, sua Alteza Real, Príncipe de Gales, Duque de Rothesay, Conde de Carrick, Conde de Chester, Barão de Renfrew, Lorde das Ilhas, Príncipe e Grande Intendente da Escócia, Cavaleiro Companheiro Real da Mais Nobre Ordem da Jarreteira – da Jarreteira, viu?! – , Cavaleiro Extra da Mais Antiga e Mais Nobre Ordem do Cardo-selvagem e Algarves das gafes.

Já contei para vocês de quando fui na farmácia comprar Nebacetin? Não? Então. Entrei na drogaria, trotei até o balcão e pedi à moça, eu, a personificação da besta imortal de Nelson Rodrigues:

– moça, você tem NeBUcetim?

Ela me lançou um olhar capaz de congelar o estacionamento do Guanabara de Realengo, em fevereiro, que, como se sabe e está provado e documentado pela National Geographic, é o 3o lugar mais quente da Terra, perdendo apenas para Timbuktu, no Senegal, e o interior de uma toca de suricato nas planícies de Ngorongoro, na Tanzânia, e me entregou o medicamento.

Então eu meio que sou íntimo das gafes. Aqui no interior de São Paulo cometi muitas, no início de meu autoexílio após me despedir do meu Rio de Janeiro. A nota fiscal paulista, por exemplo.

– moço, você vai querer a Paulistinha? – perguntou a moça do caixa, com um sorriso que interpretei – erroneamente – como convidativo.

– moça, não! Eu sou CASADO!, e enfatizei – a besta rodrigueana que sou, lembram? – bem a palavra “casado”.

Ela me olhou com desprezo, como se eu fosse um daqueles bigatos que ficam se retorcendo quando a gente levanta uma pedra, e apontou para a plaquinha afixada no caixa explicando o que era a tal nota fiscal paulista.

Ri um riso mais falso que as lágrimas daquele governador, e bati em retirada.

A tal nota fiscal paulista me perseguiu por uns tempos até que me acostumei com a ideia e parei de pagar mico. Até hoje cedo, quando fui passar o cartão e a moça do caixa – outra – me perguntou:

– paulista?

Ao que eu respondi, todo pimpão:

– nããão, carioca, mas acho que ‘tô perdendo o sotaque’…

Cavaleiro Extra da Mais Antiga e Mais Nobre Ordem do Cardo-selvagem e Algarves das gafes. Lembram?

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