Eu e o taxista árabe no Texas

Foto: Google – HM Centro Óptico

A iminência do carnaval – ugh! – me remete a várias lembranças, umas mais, outras menos antigas. A história do taxista árabe e sua ideia do que é o Brasil aconteceu em Houston, Texas, no ano passado.

Chamei o táxi para ir ao The Galleria Mall.

O motorista – árabe, é incrível a quantidade de taxistas árabes em Houston, parecem os paquistaneses em Nova York – me perguntou de onde eu era. Respondi que era brasileiro e carioca.

(Meus amigos sabem como sou avesso à conversadores compulsivos como taxistas e barbeiros, não por arrogância mas por timidez mesmo, como sempre digo, mas resolvi bater palma pra maluco dançar e prosseguir na prosa).

Perguntei ao Mohamed – sim, era esse o nome do cara, parece nome de fanfic, fazer o quê? – então o que ele conhecia do Rio de Janeiro e ele respondeu, em inglês macarrônico acompanhado de gestos e caretas dignos de um italiano da Calábria.

O que se segue abaixo é a tradução mais ou menos literal que fiz dessa algaravia:

– Rio de Janeiro? Ah, muito bonito mas lugar não bom. Não bom ! Muito perigo! Penso que lugar bonito… mas que não tem segurança não serve! Aqui também tem lugar perigoso, sim! Mas polícia chega rapidinho! Chama polícia eles chegam e já chegam pá pum nos bandidos! Rio também tem carnaval, né? Loucura! Mulheres lindas mas… não servem, né ? Muita sem vergonhice em carnaval, fora de carnaval… sem vergonhice de político também! Não serve!

É isso, senhoras e senhores: até um taxista árabe do Texas conhece a fama do Rio melhor que muitos políticos de esquerda.

E como é triste essa nossa fama lá fora: terra de bandidos e de sem-vergonhas.

Eu até ri.

Mas como dói.

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