É preciso aprender a respeitar o olhar que olha em outra direção

Não sei em que momento começou a se forjar a era de bizarra intolerância que vivemos hoje. A ideia de uma convivência pacífica – quiçá harmoniosa – entre pessoas que pensam diferente parece estar muito distante.

Tomemos Bolsonaro, por exemplo.
Quando venceu, o que os seus opositores disseram? Que houve fraude – lógico. Tias do Zap, lembram? Que depois viraram minions, depois gado…

Alguém pensou que, simplesmente, o povo brasileiro desejava… um olhar diferente?

É preciso aprender a respeitar o olhar que olha em outra direção.

Tomemos o caso do uso das máscaras, por exemplo. Há os que usam até embaixo do chuveiro. Há os que não usam por acinte. Há os que usam com bom senso, como eu. O que fazem os que não usam? Dizem que os que usam, usam “focinheiras”. Somos, portanto, para os que não usam, apenas uma raça de exóticos cachorros que assinam Netflix.

Tomemos a eleição americana, por exemplo. Eu votaria no Trump. Torci por ele. Por tudo que acredito, penso que ele é a melhor opção – para os USA e para o mundo.
Fotomontagem: Google – NSC Total

No entanto, parece que metade dos americanos tem um olhar diferente.
E, não, não acredito que houve fraude. Se Biden ganhar – acho que vai – penso que o povo dos Estados Unidos passará por tempos difíceis. O mundo também.

Mas é preciso aprender a respeitar o olhar que olha em outra direção.

É difícil pacas, eu sei. Como alguém pode preferir lasanha a gnocchi, Stones a Beatles, o Vasco ao Flamengo, o Rio a São Paulo? Como alguém pode dizer que bossa nova é chato, que não dá para entender Guimarães Rosa e que CD era melhor que vinil?Como alguém que come um brigadeiro diz que não almoça depois, como pode alguém não gostar de café, chocolate, Coca-Cola e blues? Como pode?

Mas é preciso aprender a respeitar o olhar que olha em outra direção.

(Pode começar a praticar aqui nesse texto: se não concorda com o que expus, você pode sair de fininho, assobiando alegremente uma canção: hoje estou com “And Your Bird Can Sing”, dos Beatles, na cabeça – mando os honorários depois, viu?)

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