10 de agosto de 2022
Joseph Agamol

E a Chleo continua…


Chleo corria pelo deserto e a matilha de lobisomens corria atrás.
“Rocky Balboa rules,” pensou ela, inebriada de adrenalina e tesão, “também conhecida como Tática do Homem Aranha: deixe o adversário bater até cansar e então diga: ‘minha vez’ e baixe o cacete e meta a porrada.”
Ela sorria. Como dizia o Sun Tsu ou outra droga de auto ajuda qualquer, escolha o território onde quer lutar.
E ela sabia exatamente onde queria lutar.
Pena que os fones de ouvido tinham ficado pelo caminho, mas os acordes de Born to be Wild, a mãe e o pai de todas as músicas para correr ainda ecoavam em sua cabeça:
“Correr ouvindo Steppenwolf devia ser considerado dopping”, pensou, ainda sorrindo.
E ela correu até chegar ao fim da estrada, correu até a cabana na beira do desfiladeiro, com os lobos mordiscando seus calcanhares, arrancando pequenas fileiras de sangue vampírico, que, ao tocar o solo arenoso, fervilhavam e evaporavam, matando pequenos lagartos e escorpiões que porventura tocassem.
Ela parou e virou-se. Firmou-se nos calcanhares, uma garota pequena e magra, cabelos negros, jeans e botas marrons.
Levou a mão atrás das costas e desembainhou a machete, pensando em quantas vezes cogitou uma autêntica espada samurai, uma Hattori Hanzo talvez, mas sempre considerando a machete mais adequada e precisa,
“ah, Chleo, você não é chique o bastante para uma espada samurai, garota”, pensou, enquanto, virada em turbilhão, a machete em suas mãos cortava ossos, carne, pelo e sangue dos lobos, até restar apenas o líder, capturado com facilidade e doçura pela vampira, que, ao ouvi-lo dizer, entre fragmentos de dentes e fiapos de língua, que não iria falar, ouviu como resposta um riso infantil e uma promessa mascada:
– ah, porra, você vai, sim, cara… Vai falar direitinho onde encontro a porra da minha irmã.
(Continua)

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Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

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