Dia do idoso

Curioso como os parâmetros para o envelhecimento foram sendo redefinidos através dos tempos. Um amigo uma vez postou uma manchete antiga de um jornal, do início dos anos 20, que se referia a uma pessoa de 40 anos como “idosa”.

Hoje, no Dia do Idoso, lembrei de uma canção dos Beatles, “When i’m sixty four”, na qual Paul Mccartney fala sobre ter 64 anos como uma idade muito distante, de alguém muito, mas muito velho. E hoje Paul McCartney tem, não 64, mas 79 anos.

(Será que Paul sente-se idoso?)

Só sei que, quando eu tiver 64… quero ter tempo para ter tempo. Para abraçar aquele livro que me espera na estante, como uma namorada que aguarda um beijo.

Para andar de japona e chapéu Panamá no Inverno, e chinelas de vô. Para ver todos os jogos de todas as divisões na televisão. E, por falar em televisão, aproveitar para consertar aquela televisão de tubo, e a resistência do chuveiro, e pintar a cerca. Para ouvir de novo todos os discos dos Beatles. Na ordem. Na ordem! E escutar o canto do melro no quintal.

Quando eu tiver 64, quero ter tempo para ter tempo. Para reler de novo todos os Tolkiens e Kings e Pessoas e Rosas e Lewis e Agathas e Florbelas. Para fazer bolo de chocolate de caixinha, assar pão e moer café. Para olhar as crianças, e os bichos e as flores e os beija-flores e o sol e o frio, quentando uma caneca nas mãos.

Quando eu tiver 64, quero ter tempo para ter tempo para rever todos os filmes de Clint Eastwood e Ian McKellen e Michelle Pfeiffer. Para curar minha tendinite e beijar como se tivesse vinte.

Foto: Michelle Pfeiffer, 63 anos, em foto de Danielle Levitt

Quando eu tiver 64… eu só quero ter tempo para ter tempo.

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