Bravos ou tolos?

Imagem: Carlos Eulefi

Corria o ano de 1938.

Nos Estados Unidos, a televisão ainda era uma novidade e quem mandava mesmo era o rádio, responsável por quase toda a comunicação de massa na época.

Já existia uma divisão entre programas jornalísticos e de entretenimento, como as adaptações de obras literárias levadas ao ar em forma de radio-teatro.

Orson Welles, que mais tarde se tornaria uma das lendas do cinema americano, tinha apenas 23 anos quando se tornou diretor do programa de teatro radiofônico da CBS chamado Mercury in the Air. E teve uma ideia: adaptar o livro Guerra dos Mundos, do escritor britânico H.G. Wells, de uma forma, digamos, diferente.

O livro de Wells descrevia uma invasão alienígena, com E.T.s malvados atacando a humanidade – em 2005 o livro teve uma adaptação para o cinema, com Tom Cruise.

Orson Welles teve a ideia de misturar os formatos, apresentando a obra de ficção como se fosse um evento real, inclusive com a participação de repórteres ao vivo, para simular uma invasão real acontecendo, e incluindo efeitos de sonoplastia para replicar o som das naves.

O programa tinha uma audiência estimada em 3 milhões de ouvintes e, no início da transmissão, foi feito um comunicado informando que a narração era uma obra de ficção.

Diz a lenda que cerca 1 milhão e meio de pessoas não ouviram o comunicado e acreditaram que o que estava sendo transmitido era real: uma invasão alienígena.

O resto é história – ou histeria: milhares de pessoas em pânico, gente fugindo de carro com bens e família, estradas congestionadas, tentativas de suicídio, aglomerações e pisoteamentos.

É difícil avaliar hoje, mais de 80 anos depois, o real impacto da transmissão de Orson Welles. Mas o fato é que, através desse episódio, podemos considerar que até uma sociedade altamente esclarecida, para os padrões da época, como a americana do fim da década de 30, foi facilmente induzida ao erro.

“Ok, Joseph” – meus amigos e vizinhos podem estar se perguntando – “aonde exatamente você quer chegar com essa história? Qual é o PONTO?”

Eu me pergunto como o futuro nos tratará:

Como a sociedade que enfrentou a maior ameaça à humanidade desde a 2a Guerra Mundial?

Ou como o povo que sofreu uma experiência de engenharia social nunca antes imaginada?

Seremos incrivelmente bravos – ou apenas ridiculamente tolos?

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