Brasil: atingimos a decadence – sem nenhuma elegance

Baixei o famigerado Tik Tok para ver o porquê de ser tão comentado. Em menos de dez minutos de uso, desinstalei.

Fiquei triste. Sério. Entre comediantes amadores – que aparentemente jamais chegarão a ser profissionais – e adolescentes tardios (muito tardios) de ambos os sexos executando performances de gosto duvidoso, uma categoria se impôs: jovens fazendo caras e bocas e se exibindo em trajes sumários, ao som de música (?) eletrônica que poderia ter sido composta por um grupo de babuínos acometidos de feroz constipação.

Fiquei matutando. Não é o caso de ser nostálgico, embora eu, como filho de portuga, possua mesmo uma tendência à melancolia, àquela saudade da terrinha, mesmo sem nunca ter ido lá.

Mas não sejamos injustos: o Tik Tok não é a doença: é um dos sintomas. Um dos sintomas da descida íngreme ladeira abaixo, de patins besuntados com banha de porco, executada de forma destrambelhada pelo nosso país.

A lobotomia simbólica da juventude – e de alguns integrantes da “velhitude” também – por parte do Tik Tok é só uma vertente de um processo maior, que engloba todos os aspectos da nossa cultura: a música degenerada que se apelidou de “funk”, em um insulto à memória de James Brown, a baixa literatura e autoajuda masturbatória que se traveste de filosofia, os programas jornalísticos que não informam nem são jornalísticos, atores que não sabem atuar e cantores que não cantam e – por que não? – os políticos rasteiros que preferem destruir o pouco que resta do país para reinar sobre os escombros.

Para quem já teve Jobins e Gilbertos, Guimarães e Assis, Clarices e Cecílias, Nelsons e Francis, o Tik Tok é só mais um azulejo brega na imensa parede kitsch que é hoje a cultura brasileira.

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