Aqueles que são da geração Neocid mata- piolho os saúdam!

Foto: Neal Boenzi
Os saúdam e lembram não só do trio inseticida, pente fino e toalhinha para eliminar os indesejáveis hóspedes mas todo o combo de uma era que se foi. Por exemplo.

O calçado para todas as ocasiões era o kichute, e sua contrapartida feminina, o bamba, usados desde as missas domingueiras até o futebol de rua de todo dia, passando pelo passeio na praça e as visitas à família. Paquera? Criança não pensava nisso: nem como brincadeira!

Éramos reis e senhores dos nossos quarteirões, com uma energia infinita e ossos de adamantium, nutridos com um composto que nenhum Capitão América possuía: almofadinhas de doce de leite de procedência desconhecida, cocadas trazidas pelo vendedor da rua – cada uma tinha o seu, típico – e aquele sorvete de máquina que se desenovelava como um… vocês sabem o quê, né?!

Tudo isso regado a fartos goles de água da rua, da mangueira dos vizinhos, e guaraná caçulinha, o preferido, na medida certa.

Fazíamos um pit-stop como Emmerson Fittipaldi em frente à TV, em geral de tubo e quase sempre preto e branca, onde escolhíamos entre a fartura de 4 ou 5 canais. E – adivinhem? – a gente era feliz!

Quando nossa energia inesgotável esgotava – até o dia seguinte – era hora de trotar de volta ao ninho, como jovens cavalos selvagens que éramos, direto para os colos infindos e abraços intermináveis de mães, pais, tias e avós.

Tudo isso se foi, e, hoje, celulares e Playstations, Netflixes e computadores substituem os insubstituíveis pique-ajuda e pique-bandeira, festas juninas e bolas de gude, futebol de botão e totó, polícia-e-bandido.

Quanto aos piolhos, sumiram, e suspeito que se extinguiram com a geração dos anos 80: o sangue dos humanos que vieram depois já não nutria mais…

Nós, da geração Neocid mata-piolho, os saudamos!

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