Ame-o ou deixe-o governar

Você pode detestar o presidente Bolsonaro – e apoiar a presidência Bolsonaro, ao mesmo tempo.

Existe uma diferença, que nem é tão tênue, mas talvez convenha explicar.

Eu, por exemplo: votei no Bolseiro. Sem hesitar. Sem pensar duas vezes. Mas tenho minhas restrições ao Bolso. Sim, tenho.

Acho que o presidente é intempestivo demais, às vezes. Acho que poderia falar com menos frequência e se ater mais a discursos previamente elaborados. Acho que deveria escolher melhor as batalhas pelas quais lutar.

(Mas, pensando bem, se ele fizesse isso tudo, provavelmente não seria o Bolsonaro.)

Mas há pessoas que odeiam o Bolso de graça: implicam com sua língua presa, com seu corte de cabelo, com seu pão com leite condensado no café da manhã.

São aquelas pessoas que se preocupam mais com o glacê do que com o recheio. Com a forma e não o conteúdo.

Minha sábia mãe dizia que são pessoas que comem urubu e peidam faisão. 

Essas pessoas, curiosamente, elogiam alguns ministros: o bola da vez é o ministro Mandetta, super elogiado por sua condução à frente da crise do Corona. Como já foram bastante elogiados o Guedes e o Moro. Essa gente os elogia como se os excelentes ministros do governo tivessem brotado por geração espontânea, ou sido convocados após um rigoroso concurso público.

Pode parecer incrível à essas pessoas, mas os excelentes ministros da equipe do governo foram escolhidos pelo – cof cof – Bolsonaro. O de língua presa, de corte de cabelo esquisito, do pão com leite condensado no café da manhã.

Essas pessoas poderiam reconhecer que ao menos uma qualidade o nosso boquirroto presidente tem: saber escolher sua equipe.

Mas eu já me daria por satisfeito se não se dedicassem, diuturnamente, a torpedear o governo, inventando crises entre seus principais ministros.

Vocês podem detestar o presidente Bolsonaro – e apoiar a presidência Bolsonaro, ao mesmo tempo, amiguinhos.

Ao menos durante esse perrengue que estamos passando.

Depois vocês podem voltar à sua oposição de quinta série.

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