18 de agosto de 2022
Colunistas Joseph Agamol

Alguma coisa acontece no meu coração

Parafraseando aquela canção linda de Tavinho Moura e Fernando Brant, “para quem não me conhece eu sou carioca”, auto-exilado há… dexovê aqui… 6 anos no interior de São Paulo.

Imagem: Google Imagens – Poemem-se

Mas, antes mesmo de sonhar em abandonar de vez o Rio, eu já era apaixonado por Sampa, a capital.

Era comum me refugiar do carnaval do Rio em São Paulo. Isso lá pelos idos de 2009, 2010, quando a praga dos blocos cariocas ainda não havia invadido São Paulo como uma nuvem de gafanhotos de havaianas e carro de som.

Lembro bem como era: sexta de carnaval ou sábado de manhã eu ia comprar passagem, o que era fácil e rápido, já que ninguém queria ir em pleno tríduo momesco (urgh!) para o lugar onde o samba não faz morada.

Isso mudou, claro. Que droga.

Eu chegava em São Paulo e me deliciava com a não-visão de confetes e serpentinas pelo chão, os trens do metrô vazios e limpos, as ruas frescas e tranquilas.

O meu ponto predileto passou a ser a Paulista: meu roteiro começava na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, onde eu me embrenhava pelos corredores, perdido em meu amor pelos livros. Tomava um New York Super Fudge Chunk na Ben&Jerrys, saía do conjunto e ia a pé, ouvindo os buskers tocando na rua.

Parava para um ou mais cafés em uma ou mais Starbucks, me divertia com os tipos bizarros que desfilavam pela avenida. Almoçava no Fifty’s um hambúrguer de cordeiro ou uma quatro queijos na Domino’s, entrava na FNAC para mais um pouco de amor com livros… e retomava tudo até o Conjunto Nacional.

Em tão pouco tempo, muito, muito mudou. A Paulista, antes tranquila e convidativa aos finais de semana, passou a ser fechada ao tráfego – e, paradoxalmente, o que deveria ser diversão tornou-se tormento, com a avenida sendo invadida pelas pessoas em busca de lazer, e encontrando apenas uma multidão digna de um carnaval fora de época.

A FNAC desistiu do Brasil, o Fifty’s não vende mais meu hambúrguer de cordeiro e hoje fiquei sabendo que a Livraria Cultura parece estar em estado pré-falimentar.

Alguma coisa acontece no meu coração.

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Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

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