20 de julho de 2024
Joseph Agamol

A história de Frank


Algumas pessoas vieram me perguntar se a foto que postei no domingo – e a história da mesma – era real. E me pediram mais detalhes. Pois bem.
A foto foi publicada no site da Marinha dos U.S.A. e em inúmeros outros pelo mundo: nela, um sargento dos marines, Frank Praytor, alimenta uma gatinha – batizada como Miss Hap – com conta-gotas, em meio à Guerra da Coreia.
A imagem, de outubro de 1952, rodou o mundo já na época, mesmo sem internet, tornando Frank uma celebridade instantânea.

Anos depois, em entrevistas, ele recorda, divertido, as milhares de cartas que recebeu, com declarações de amor, pedidos de casamento…
Quando voltou para os Estados Unidos, quase enfrentou uma corte marcial por ter, durante a guerra, participado de um concurso de fotografias, enviando a imagem de um companheiro ferido em combate.
Ele acredita que a fama conquistada pela icônica foto o salvou do processo. Foi salvo pela gatinha.
Trabalhou o resto da vida como escritor e na área de propaganda, até falecer, ano passado, aos 90 anos, depois de alguns anos enfrentando problemas de saúde.

“Ah, e a Miss Hap, Joseph?”, vocês podem estar se perguntando, amigos e vizinhos. “O que aconteceu com a gatinha?”
Bem, relatos dão conta de que cresceu e se tornou a mascote – super mimada, diga-se de passagem, tratada literalmente a pires de leite – da divisão de Frank, que, após a Guerra, retornou a Coreia e a reencontrou lá.
Como eu disse no texto de domingo, acredito que Frank chegou ao Paraíso e descobriu que tinha recebido, de instâncias superiores, um bilhete de entrada gratuito – com direito, além de cachorros quentes e Coca-Cola por toda a Eternidade, a escolher a temperatura do seu pedaço de céu e acesso a toda a programação da Netflix.
E penso que a gatinha estava sentadinha junto ao Portão e esperando por ele.

Acredito também que, imediatamente após entrar no Céu, Frank virou menino novamente.
E acho que ele está lá, nesse exato momento, correndo pelos gramados, com o boné virado ao contrário e tomando sorvete do McDonald’s, feito o menino Jesus descrito por Fernando Pessoa em um poema antigo e bonito.
Com a Miss Hap correndo ao lado.
Para sempre.

Joseph Agamol

Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *