A garota do Morro dos Ventos Uivantes

Há muito tempo quero escrever sobre Kate Bush.

Essa moça que está olhando com esse olhar intenso e felino por baixo dessa franja desabada aí da foto.

Os mais jovens provavelmente não sabem quem é. Periga os mais velhos também não.

Kate Bush é mais uma do grupo de cantores esquisitões que provavelmente só eu admiro:

Nick Cave. J. J. Cale. Tom Waits. Stevie Nicks.

E Kate Bush.

Mas ela é mais. Muito mais. Vocês nem imaginam. Ô.

Kate Bush poderia ser herdeira direta de bardos e trovadores medievais.

Daria para imaginá-la facilmente ao lado de um gato negro, dedilhando um alaúde e trocando sua arte por algumas moedas na antiga Albion.

Mas ela é mais. Muito.

Quando ouço Wuthering Heights – canção baseada no clássico O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brönte – me sinto sendo sugado por uma espécie de portal.

Que foi aberto por essa moça estranha.

E que me guia direto à terras de sonho, esquecidas, charnecas por onde você não gostaria de se aventurar.

Ou gostaria, sei lá.

Afinal, quem, homem ou mulher, não gostaria, ao ver essa moça com sua dança sinuosa de coxas, quadris, ombros, braços, mãos?

Quando ela caminha em sua direção tateando com os dedos e girando o braço sobre a cabeça?

E olhos.

Porque às vezes ela parece ser só um par de olhos.

Gato de Cheshire fêmea.

Sortilégios. Condões.

Se eu quisesse uma representação perfeita de uma fada ou elfo, seria Kate Bush.

Me atrevo a dizer que ela o é, de fato. Dou fé.

Se eu soubesse que, atravessando de vez o portal para o reino élfico, eu teria essa estranha elemental como guia, talvez eu o fizesse.

Não ouça Wuthering Heights, leitor amigo ou amiga, homem ou mulher. Tanto faz, ninguém é imune à magia élfica.

Não ouça.

É perigoso.

(Mas se você quiser correr o risco, deixo nos comentários o link da melhor versão desse clássico.

Me conta o que você viu do outro lado do portal?)

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