A estrada daqui em diante

Foto: uma das maravilhosas paisagens de Monument Valley, Utah, U.S.A., por Niaz Uddin
A pergunta que mais ouvi ao longo do ano que se foi:

– Você acha que as coisas vão voltar ao que foram, antes, um dia? Você, ao menos, ACREDITA?

Já duvidei. Achei que não, as tais “coisas” não voltariam. Até acreditei no dito “novo normal”. Hoje mudei minha mente. Penso que a vida vai se reamoldar, de novo. Se reconformar. Mais ou menos como a areia nas margens de um rio se reconfigura, após a cheia das águas.

Ou como o deserto se rearranja após uma tempestade: se remenda, se remolda, seja para a seca, para os tons ocres e vermelhos do sol, seja para o breve tapete de cor que o recobre – como enfeites de sal de Corpus Christi.

Haverá rostos cobertos aqui e ali. Haverá distâncias mantidas. Haverá algum medo nos olhares.

Que haja respeito. Pelo tanto que cada um conhece e trilha seus caminhos de dores e angústias. Pelos que memorizaram de cor seus pequenos mapas de tormentos silenciosos. Seus secretos lamentos.

No mais, que haja fartas porções de ouro do sol nos cabelos.

E uma estrada aberta, púrpura e prata, ao anoitecer.

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