A decadência do projeto civilizacional brasileiro pode ser representada pelo desaparecimento do papel de pão

imagem: Correio da Manhã / Arquivo Nacional
É, amigos e vizinhos: suspeito que o tal projeto civilizacional brasileiro começou a naufragar quando o simpático papel de pão começou a ser substituído pelas insípidas, inodoras e incolores sacolas de plástico.

(Parênteses rápidos: se bem que falar em “projeto civilizacional”, em termos de Brasil, é uma quimera: eu acreditaria mais em um hipotético projeto civilizacional das, sei lá, capivaras ou toupeiras-nariz-de-estrela do que no do Brasil).

Lembro bem como era chegar à padaria, de manhã cedinho, esperar o pão sair do forno, e tê-lo embrulhado naquele pedaço de papel cinza, de consistência padronizada, que o acondicionava, protegia e mantinha intactos o sabor, a temperatura e a umidade – até chegar em casa.

Imagino quantos números de telefone -telefone, 6 ou 7 dígitos! – foram obtidos e anotados em prosaicos papéis de pão. Quantos poemas, cartas de amor, declarações, desabafos, foram gravados na folha cinza. Dizem que a letra de uma das maiores canções da música popular brasileira, “Águas de Março”, foi escrita em um papel de pão.

O Brasil começou a fracassar quando deixamos de ter Tom Jobim escrevendo genialidades em papel de pão.

Agora parece que é só pau, pedra – o fim do caminho.

Mas eu continuo esperando as promessas de vida em nossos corações.

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2 Comentários

  • Rute Abreu de Oliveira Silveira , 22 de março de 2021 @ 16:20

    Que LINDOOOOOO!!!!
    Amei e compartilhei.
    Por mais escritos assim.
    Rute Silveira

    • Admin , 22 de março de 2021 @ 17:30

      Repassei seu comentário para o Joseph… a propósito, vc viu a coluna dele sobre o nosso professor Abrahão???
      bjs

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