A alegria do carnaval como simulacro para o desespero

Foto: jinxkittiecosplay

Como sempre, acompanho à distância – segura – os fatos envolvendo o Carnaval.

Desde sua “revitalização”, a partir dos anos 2000, o tal do “tríduo momesco” – que de tríduo não tem mais nada: em várias cidades, hoje, o Carnaval estende-se por todo o mês de fevereiro – parece se superar em todas as estatísticas: a cada ano são mais milhões de pessoas nas ruas, mais sujeira, mais pornografia, mais violência.

Com tudo isso, o que me surpreende é a quantidade de pessoas que ainda associa o Carnaval à alegria.

Porque só o que vejo são camadas e camadas de desespero, encoberto por uma fina película formada por selfies, sorrisos que mais parecem esgares, e uma mórbida necessidade, quase uma obrigação, de mostrar ao mundo uma alegria pré-fabricada para as câmeras de celular e da televisão.

A alegria carnavalesca, A.K.A. desespero, é, na verdade, um profundo guano constituído por uma combinação de excessos: excesso de drogas, excesso de bebida, excesso de sexo, excesso de excessos.

Menos a verdadeira alegria.

Uma felicidade fake que, não, não acaba na quarta-feira, mas a cada vez que as câmeras são desligadas.

Os sorrisos do Carnaval são, na verdade, máscaras de Pennywise, o palhaço do filme It: são largos no rosto mas jamais alcançam as profundidades da alma.

(Texto: Joseph Agamol foto: )

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