Um cara que escreve


Escrever é como lançar uma garrafa virtual em um oceano virtual e esperar que alguém real a encontre.
Na minha pequena biografia de perfil está assim: “um cara que escreve”.
Tive um amigo guitarrista que dizia que era só um cara que arranhava um instrumento, pois, segundo ele, só quem vivia de música podia definir-se como “músico”.
Tendo a concordar com ele, uma vez que ganhei algum dinheiro com coisas que escrevi, mas não vivo da escrita.
E ainda lembro o primeiro dos caraminguás que recebi por algo produzido por minha cabeça e dedos: foi durante um concurso de redação da Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro, em 1979 ou 80, e sobre a Receita Federal – acreditem.
(Na época havia um revival da música dos anos 60 e 70, tocava The Archies no rádio, e quando fazia 40 graus no Rio dava até chamada no Jornal Nacional!)
O tal concurso foi imposto como tarefa durante a aula de Português e, mesmo contrariado, rabisquei algumas linhas mau humoradas, ácidas e com meu senso de humor já peculiar aos meus 13 ou 14 anos.
Onde basicamente eu desancava a Receita Federal e descia a borduna no sistema – tudo com uma certa finesse, claro.
Não ganhei o tal concurso – mas fiquei em terceiro lugar entre os concorrentes de todo o Estado, o que me rendeu uma certa fama entre as meninas da escola e um relógio importado, disponibilizado como prêmio.
De lá pra cá escrevi de um tudo nesse latifúndio:
cometi meus poemas desorientados de adolescente esquisito, compus letras de músicas, criei e esqueci personagens, e elaborei muitas aulas – já que, logo que comecei a lecionar, ficou claro que os alunos gostavam mais dos textos que eu produzia do que os dos livros didáticos.
Todo esse papo é para informá-lo, meu fiel ou eventual leitor, caso você não saiba, que hoje é o Dia do Escritor.
Ao menos no Brasil, como varias outras excentricidades aqui do Principado de Bananistão. O resto do mundo comemora essa data em 13 de outubro.
Então.
Aproveito esse espaço para homenagear os homens e mulheres que fizeram – e fazem até hoje – da minha vida um lugar um pouco mais feliz.
Que foram meus mestres em maior ou menor grau.
E agradecer também, onde quer que vocês estejam:
Caras como Stephen King, Neil Gaiman, Florbela Espanca, Fernando Pessoa, Agatha Christie, Antonio Machado, Tolkien, C.S. Lewis, José de Alencar, Guimarães Rosa, Manuel Bandeira, Mário Quintana, Cecília Meireles, Carl Barks, Stan Lee e mais uma pequena legião que não caberia nos estreitos limites dessa postagem, que já editei algumas vezes na tentativa inútil de corrigir eventuais esquecimentos.
Minhas homenagens se estendem também a todos que escrevem aqui nesse território selvagem virtual, produzindo algumas linhas diárias que sempre me dão prazer.
Não vou marcar ninguém porque algumas pessoas não gostam dessa marcação, mas são Antônios, são Patrícias – que sumiu – são Anas e Adelias – sempre penso nelas como irmãs -, são Nanas, enfim, são tantas que também não cabem aqui nesses limites estreitos – curioso, acabei de ver que são mais mulheres, será que escrever é um esporte feminino?
E, por último e mais importante, meu agradecimento a quem dedica alguns minutinhos da sua vida a buscar garrafas virtuais em mares virtuais.
Você.
Você que me lê como um livro bom.
E que exagera nas gentilezas a cada texto meu. Procuro sempre agradecer, vocês sabem. Gentileza é algo raro e precioso.
Feliz Dia do Escritor, meu amigo fiel ou eventual.
Pretendo continuar lançando algumas garrafas e vou torcer para que você as encontre.

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