1 de julho de 2022
Colunistas Joseph Agamol

Saudade de New York City. Saudade dos U.S.A.

Eu fui nerd nos anos 70, e um nerd pobre. Aliás, mesmo se rico fosse, não haveria tantas opções dentro da cultura nérdica nos 70’s: era ler e colecionar gibis e álbuns de figurinhas, sendo meus preferidos – e de todos os guris ranhentos como eu – o Batman, o Superman, a Mulher Maravilha – e o Homem Aranha, claro.

Eu amava o Aranha – Peter Parker era um cara como eu, um garoto descobrindo o que era deixar de ser criança e vislumbrar o mundo dos adultos. Um lobo solitário que se valia tanto de seus poderes quanto de sua inteligência.

O guri que nasceu ali no sopé do Morro do Adeus cresceu. Estudou, primeiro música, depois História. Graduou-se. Abandonou, primeiro o Complexo do Alemão, depois o Rio de Janeiro.

A primeira viagem que fiz aos U.S.A. foi logo a Nova York, em 2015. De lá para cá perdi a conta de quantas vezes fui – e o quanto aprendi a amar cada vez mais o país. A pandemia me afastou da America – mas meu amor não diminuiu.

E eu sempre penso na vez em que, no início da primavera nova-iorquina, em abril, eu parei, à noite, em meio às luzes de Times Square, e lembrei da estrada até ali. Foi um baita caminho do menino que subia o Adeus com o avô para ver o Rio de Janeiro lá de cima até os sons e cores de Manhattan.

Pode parecer bobagem para quem nasceu em berço de ouro, coisa comezinha e trivial, mas pensem num menino, que veio de comunidade, feliz. Se chorei, ao menos um pouco? A chuva molha?

Todo esse lero-lero insuportável – imagino quantos já não abandonaram o texto até aqui, e com razão.

É só para dizer que estou com saudades de Nova York (Texas e Florida, amo vocês também!), das casas do Queens e do Brooklyn, dos bancos nomeados do Central Park, da Skyline e seus peladões, da Barnes & Noble, meu refúgio predileto do frio, com seus livros e tortas da Cheesecake Factory, daquele Walmart escondidinho ali perto da 5a Avenida, do cachorro quente do Nathan’s (só pão e salsicha, como deve ser), da Grand Central e da Biblioteca, da livraria Kinokunya, especializada em cultura japonesa, das Starbucks, cujos cafés e wi-fis me salvaram tantas vezes, e das minhas lojas de bonequinhos, como a Midtown Comics, onde comecei minha coleção, e a Image Anime, também especializada em cultura japonesa, ali na rua 37, perto das lojas de caríssimos casacos de couro.

Não me olhem assim, vai: eu fui um menino muito pobre.

Fotos: Joseph Agamol

author
Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.