1 de julho de 2022
Colunistas Joseph Agamol

Quando perdemos o pudor

Não, eu nem me refiro tanto à perda de pudor em relação a sexo, por exemplo: aqui é que esse despudor, ao menos entre 4 paredes – e sem que haja necessidade de polícia envolvida – é ótimo.

Eu me refiro mesmo ao despudor generalizado que prolifera no mundo de hoje, de modo geral, mas, particularmente, na política e na sociedade.

Não apenas a mentira é tolerada, mas até vista como algo positivo: fulanos que passaram a vida inteira jurando de pés juntos uma determinada posição, ao menor sinal dos ventos favoráveis abandonam o que diziam antes, sem a carocha sequer ficar rosada!

Despudoradamente.

Fulanos que juram representar opções mais, sei lá, civilizadas na política, proferem os xingamentos e ofensas mais cabeludas, dignas de um lupanar da, sei lá, Calábria, mesmo sabendo estarem sendo filmados, e, ato contínuo, DESMENTEM AQUILO QUE SABEM ESTAR REGISTRADO!

Despudoramente. (Perdão aos lupanares calabreses.)

Homens que evidentemente se aproveitam de mulheres evidentemente fragilizadas são alçados ao posto de, sei lá, heróis nacionais, frequentam a mídia, dão conselhos, autógrafos e o escambau! E o ESCAMBAU!

Despudoradamente.

Uma frase famosa antigamente dizia que ou o Brasil acabava com a saúva ou a saúva acabava com o Brasil.

Não foi Monteiro Lobato que a cunhou, como se pensa, mas o naturalista Saint Hilaire, impressionado com a voracidade das formigas.

Mário de Andrade fez seu personagem Macunaíma – o herói sem NENHUM caráter – proferir uma frase parecida: “pouca saúde, muita saúva, os males do Brasil são.”

Imagem -Google Imagens – Culturadoria

Deixem as pobres formigas em paz.

Os males do Brasil são a falta de caráter, assim, “macunaimicamente”.

E o despudor.

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Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

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