2 de julho de 2022
Colunistas Joseph Agamol

Os bons livros velhos

Foto: Tolkien em 1960, por Haywood Magee

Hoje fiquei pensando em livros velhos, de antigos autores que fizeram sucesso e que hoje, muitas vezes, estão injustamente esquecidos.

Foram obras muitas vezes magníficas, e o contexto em que foram escritas, contexto de valorização de uma grafia que primava pela excelência, permite saborear – e essa é a palavra – a língua portuguesa em sua plenitude, mesmo que em forma de autores traduzidos.

É um contraste tão chocante, quase aberrante, em comparação com a ortografia rala, rarefeita, dos dias de hoje, que, ao reler esses antigos livros, me sinto como que revisitando obras de extintas civilizações alienígenas.

Por exemplo: quem aí conhece a americana Pearl S. Buck, americana que viveu em Xangai até os 15 anos? Buck, ganhadora do Nobel e do Pulitzer, escreveu o belíssimo “A Boa Terra”, obra indispensável para quem quer aprender um pouco mais sobre a China pré-revolução comunista. Ao retratar a trajetória do camponês Wang Lung e sua família, de uma forma muitas vezes doce e lírica, muitas vezes cruel, Pearl S. Buck oferece um verdadeiro curso sobre a sociedade chinesa milenar.

Quem conhece, repito?

Quem conhece Henry Morton Robinson, que escreveu “O Cardeal”, livro escolhido pela revista Time como o mais popular de 1950?

“O Cardeal” narra a vida do padre Stephen Fermoyle, americano de origem irlandesa, e sua ascensão dentro da hierarquia da Igreja Católica. É um livro belíssimo e delicado, muitas vezes leve e bem humorado, escrito em uma prosa primorosa e repleto de personagens inesquecíveis. De quebra, “O Cardeal” é uma verdadeira aula sobre a Igreja Católica na primeira metade do século 20 e ainda proporciona ensinamentos preciosos sobre a liturgia e a filosofia cristãs.

Querem mais? Quem conhece Richard Collier, que escreveu uma obra magnífica sobre os oito meses de bombardeios nazistas sobre Londres em 1940, conhecidos como a Blitz londrina?

“A Cidade que Recusou Morrer”, título do livro, conta a história de moradores reais de Londres e de personalidades como Churchill – e como seguiam em frente mesmo tendo que enfrentar o pesadelo de toneladas de bombas lançadas sobre eles a cada noite. É uma obra prima sobre esperança, resistência e fé.

Quem conhece?

Eu poderia ficar nisso o dia todo.

Velhos livros, para mim, são senhores muito idosos e muito bonitos, guardiões de mundos de infinita beleza ao alcance de todos que se dispuserem a ouvir suas histórias.

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Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

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