7 de julho de 2022
Colunistas Joseph Agamol

Em que curva da estrada o mundo tomou o caminho que levou exatamente ao ponto em que estamos hoje?

Hoje, ao entrar no carro, escolhi uma playlist no Spotify, como faço sempre: a opção foi “Top Hits of 1981”. Comecei a ouvir. A estrada à frente, as músicas se desenrolando. Venham comigo.

Começamos com uma melhor impossível: “Don’t Stop Believin”, do Journey, banda que contava com uma das vozes mais bonitas do rock, o cantor Steve Perry.

Em seguida, engrenamos com Phil Collins, “In the Air Tonight” – meus amigos, o SOLO DE BATERIA do bom e velho Phil nessa música… quem não ouviu, sei lá, talvez um alien do planeta Myzpliktz, ouça.

Prosseguimos na estrada com The Police, “Don’t Stand so Close to Me”, engatamos com Dire Straits, Bruce Springsteen, George Harrison e John Lennon, Queen, Stevie Wonder…

E a estrada em frente.

Eu ia me deliciando com as canções, o solo de bateria supracitado do Phil, a voz rouca de Mark Knopfler, um fraseado de guitarra aqui, um groove ali… Foi aí que me deu um estalo. Um insight, se eu fosse metido a besta.

Essas canções, esplêndidas em sua diversidade exuberante, rock, pop, soul, blues, MPB, bossa, tocavam no rádio em 1981. No rádio. Você ia à padaria da esquina e ouvia Rolling Stones. Você ia no boteco e podia estar rolando Tom Jobim. Você ligava a TV e no comercial era possível ouvir Stevie Nicks. Ou Stevie Winwood.

E hoje?

Hoje se produz, se toca e se ouve uma homogênea massa amorfa, uma espécie de guano de morcego sonoro, uniforme em sua mediocridade e aridez.

Justo por quem supostamente deseja e prega a diversidade.

Puá.

Em que curva do caminho o mundo tomou a estrada que levou exatamente ao ponto em que estamos hoje?

E, não, não é apenas sobre música.

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Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

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