3 de julho de 2022
Colunistas Joseph Agamol

E Paul fez 80 anos…

Quando era menino, acostumei-me a buscar refúgio em livros. Imagens. Canções. Coisas que me faziam acreditar em mundos de valores imanentes e atemporais.Tijolos que me ajudavam a edificar meu universo interior e paralelo.

Um lugar para onde eu me voltava e voltava quando tudo que era sólido parecia desmanchar no ar. Minha estrada de tijolos amarelos. Meu guarda-roupa de Nárnia. Meu portal secreto. Minha rocha de Kintyre.

Eu ouvia “Mull of Kintyre”, um menininho no Rio de Janeiro, no fim dos anos 70, e imaginava coisas simples e grandiosas, ao mesmo tempo, coisas imanentes e atemporais, sólidas o bastante para resistir ao tempo.

Um homem, uma canção. Um amigo. Uma mulher. Um cachorro. O som de violões e gaitas de foles ecoando em meio a bosques e montanhas escocesas. Família.

Essa canção me veio à cabeça hoje, assim, do nada, como a foto de Paul McCartney com sua cadela Lucky, em algum lugar da Escócia, imagem feita por sua mulher Linda.

Foto: Linda Mccartney

Paul é um senhor bem velhinho agora, com seus 80 anos recém-completos, Lucky e Linda já se foram, mas, se eu fechar os olhos, posso vê-los exatamente como nessa imagem e na canção.


Você pode ouvir as gaitas de fole tocando?

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Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

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