8 de agosto de 2022
Colunistas Joseph Agamol

E ontem Ney completou 81 anos

foto: Vânia Toledo

Lembro até hoje a primeira vez que vi Ney Matogrosso. Foi num domingo à noite. No “Fantástico”, claro. Em 1974. Eu tinha 9 anos.

O primeiro impacto foi a voz. O segundo a letra, aquela deliciosa mistura de folclore brasileiro com europeu, sacis, fadas e lobisomens. Finalmente levantei a cabeça para a TV, preto e branco, e sofri o impacto da imagem. Quem eram aqueles seres, com o rosto pintado como atores de Kabuki, o teatro japonês?

Só muitos anos mais tarde pude compreender o verdadeiro alcance da mensagem dos Secos e Molhados – a banda original de Ney. Com sua mistura singular de ritmos e sons, e vertendo para a música poemas de autores geniais como Mário Quintana, Júlio Cortazar, Cassiano Ricardo e Fernando Pessoa, os Secos e Molhados abriram uma estrada única para a música no Brasil – e essa estrada não tem movimento até hoje. Infelizmente.

Infelizmente também, os S&M duraram pouco. O bom é que deles emergiu Ney, que manteve a herança da banda no cuidado com as composições, letra e música. Mas penso que seu legado maior, em que pese sua riqueza como artista, é algo que não se define em partituras e cifras.

Eu falo de respeito, a si próprio e ao público. Quando vejo Ney, hoje, no alto de seus 81 anos, completos ontem, uma palavra me vem à mente, cintilando em neon.

Dignidade. Claro.

Ney já foi estrela: hoje, virou Regulus, o rei, o astro mais brilhante da constelação de Leão – não por acaso, signo dele.

Continue a lumiar. Que seja sempre luminar.

Parabéns, Ney!

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Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

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