Foto: iamhamamat
Ao olhar no retrovisor a estrada que ficou para trás, talvez você conclua que os trechos enlameados foram tão belos quanto os caminhos cruzados sob o sol.
Bem, veja: não estou dizendo, metaforicamente, que atravessar o labirinto que chamamos de Vida, sem saber qual Minotauro nos aguarda em cada esquina, seja sempre um exercício de prazer.
Porque há de se colher um pouco de dor – como quem colhe farpadas rosas azuis.
Não se vive impunemente. Porém, espadas não foram feitas para permanecer na bainha. Pois que o gume cega. E, ainda que a batalha possa ser feroz, nós mergulhamos nela.
Porque não há nada que se equipare a beber o vinho da vitória – e, por ele, por ela, nós imergimos na luta, sabedores que a nossa grandeza só se efetiva mediante o clangor de metal contra metal, o cheiro do suor e o amor conquistado.
Ao fim e ao cabo, os calos em nossas mãos, as cicatrizes em nosso corpo e as rugas em nosso rosto serão espólio de batalha e símbolos da conquista dos vencedores.
Há que se colher um pouco de dor, mas é necessário ter a sabedoria do sorriso – daqueles que sabem como foi duro o caminho.

Foto: iamhamamat