7 de julho de 2022
Colunistas Joseph Agamol

Amendoim torradinho

Imagem: Google Imagens – Tudoela

E hoje no mercado eu topei com um stand repleto de pacotinhos de amendoim de todas as formas, cores e sabores: amendoim com limão e pimenta, amendoim com pimenta, amendoim doce, confeitado… E eu fiquei parado em frente ao stand, tornado na hora minha máquina do tempo particular.

Embarquei direto para as noites frias de junho no Rio de Janeiro dos anos 70, percorridas pelos vendedores de amendoim, com suas latas providas de um braseiro particular, que mantinham o produto aquecido. Os meninos víamos de longe as pequenas luzes na escuridão, pequenas estrelas particulares a nos guiar para a iguaria mais barata, a única que meus cruzados podiam comprar.

Suspeito que o mister de vendedor de amendoim era herança dos tempos da escravatura, onde escravos libertos ou de ganho peregrinavam pelas ruas antigas do Rio, rua Direita, do Ouvidor, Mata-Cavalos, em busca dos mesmos fregueses infantis, ambos atravessando os tempos até os anos 60 ou 70.

Não existem mais os vendedores de amendoim, com suas latas aquecidas, seus pequenos pacotes em forma de funil, confeccionados em papel pardo, sua variedade reduzida a com ou sem casca, substituídos por iguarias mais… contemporâneas, industrializadas, saborosas e assépticas.

Mas eu fecho os olhos e vejo o menino, na noite mais fria do ano, 29 de junho, noite de São Pedro, sentado próximo à uma fogueira assando batatas-doces, a contemplar a Via Láctea salpicada de estrelas e a sonhar com o futuro, distante como os balões-japoneses a ganhar os céus.

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Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

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