9 de agosto de 2022
Colunistas Joseph Agamol

A nova geração tem um QI menor?

Li em algum lugar que, pela primeira vez na História, a nova geração apresenta Q.I. inferior ao da geração anterior.

Não me aprofundei no texto: fiquei meio down, como a antiga canção da Janis. Mas, mesmo sem ler, tendo a concordar. E apresento minhas razões.

A geração atual é a que possui as maiores facilidades de todas. Sem igual. Sem qualquer termo de comparação.

Por exemplo: se nossos ancestrais quisessem uma boa refeição, precisavam rastejar de quatro pelas savanas, expondo os traseiros peludos à sanha de gulosos tigres dentes-de-sabre. Hoje? Basta digitar no celular: nem precisa interagir com outro humano.

Por falar em celular: estou assistindo The Crown. É curioso observar que, embora os eventos da temporada 1 da série tenham transcorrido há cerca de 60 anos, parece, pelos perrengues que os súditos da rainha Elizabeth – e a própria – passam quando usam os telefones, que a história se situa em algum ponto entre a construção da Torre de Babel e a extinção dos pássaros dodô. Hoje, pelo celular, em alguns nanossegundos, a molecada joga, namora, faz compras e, se bobear, até fala.

Nunca uma geração precisou de tão pouco para ter tanto ao seu alcance. Mas, paradoxalmente, o tanto não se consubstancia, na mesma proporção, em algo BOM.

As novas gerações são experts nas modificações introduzidas pelo Play Station 5 e X-Box, amam as séries produzidas pelos serviços de streaming, com temporadas de apenas 10 episódios de cerca de meia hora de duração e deliram com canções de 2 minutos – sendo metade ocupada pelo refrão. Tudo é mastigado, triturado sem que se sinta, até virar uma polpa que, após a ingestão, leva horas para ser ruminada, produzindo uma sensação – e sedação – de falsa saciedade.

É a geração que menos empatiza e interage com outros humanos – talvez por começar a desaprender como se faz. Como se fala, usando a boca, língua e laringe. Como se toca. Se beija. Se ama. Ou mesmo apenas se come.

Para esses novos ruminantes, pouco importa se faz sol ou chuva, frio ou calor, se há um mundo lá fora: a vida se tornou apenas um grotesco simulacro do que pode ser acessado pela tela de um celular – este sim, a verdadeira realidade.

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Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

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