1 de julho de 2022
Colunistas Joseph Agamol

A Mesbla

E hoje li que a Mesbla vai voltar, ao menos como loja on-line. Alguns carros do metrô já desfilam propagandas da antiga loja. O que foi o bastante para que eu ligasse os motores da minha máquina do tempo.

A Mesbla reinava no Centro do Rio, na localidade conhecida como Cinelândia.

Em sua época áurea, eram ao menos cinco cinemas de rua: o Odeon, o Palácio 1 e 2, o Pathé, e o maior de todos, o Metro Boavista, com sua tela gigantesca, localizado no edifício Mesbla.

Parte do ritual do cinema era passar na Mesbla e comprar chocolates para comer na sessão – mais tarde, em 1999, quando a grande loja de departamentos fechou, passei a comprar as guloseimas nas Americanas que abriram próximo. Mas nunca foi a mesma coisa.

A Mesbla faz parte de um cantinho de memórias de um Rio mais suave, doce e gentil, que passa longe do que é hoje a cidade: Tom Jobim, o bonde de Santa Teresa, as festas juninas, o Inverno delicado, o Maracanã ainda sem der dilapidado…

E a maior de todas as memórias, que um dia foi esperança: que a cidade pudesse manter-se sempre maravilhosa.

Hoje a Cinelândia virou Cracolândia, em uma triste paródia do seu antigo e glorioso nome.

Quanto ao Rio, sem bonde, sem freio, sem Tom, é maravilhoso apenas nas lembranças de cariocas exilados como eu.

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Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

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