2 de julho de 2022
Colunistas Joseph Agamol

A Felicidade é um murmúrio de D’us

O maior erro da busca pela felicidade é transformá-la em um acessório do ”quando”. Quando eu enriquecer. Quando eu mudar. Quando eu me formar. Quando eu trabalhar no que amo. Quando eu amar. Quando isso. Quando aquilo.

A felicidade não depende de “quando”. A felicidade depende de uma realidade dura: ela não existe. A felicidade não existe, ao menos, não como um estado beatífico, nirvânico, uma sopa benfazeja na qual nadar, um Valhalla contemporâneo com rios de hidromel. Não. A felicidade não é uma aposentadoria cósmica.

Felicidade é movimento. Sombra entrevista pelo canto do olho. Asa de beija-flor. Algo que se intui. Pressente. A felicidade é um arrepio na pele. Um nanossegundo entre as 24h do dia. É a barriga cheia, a satisfação do depois, a dor do pós-treino.

É o sorriso do filho, a bênção do pai, o até logo no portão. A roupa quarando, a pia limpa, o fechar o botão na tarde fria, a rosa abrindo, a canção há tempos não ouvida, a memória de quem se ama, o sabor do feijão.

O gole no café, o jeans velho, o meio-sorriso, o livro que não se quer terminar, a palavra nova na língua aprendida, o silêncio antes do amanhecer, a estrada aberta à frente, a estrada que se vê atrás.

A felicidade é um murmúrio de D’us.

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Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

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