7 de julho de 2022
Colunistas Joseph Agamol

A Era de Ouro da Cultura brasileira: da segunda metade do século XIX à segunda metade do século XX

Na imagem, em sentido horário, Guimarães, Machado, Clarice, Cecília, Quintana, Alencar, Tom e Villa Lobos

Hoje vi uma foto que reunia Guimarães Rosa, Lygia Fagundes Telles, que partiu ontem, e o editor José Olympio. Senti uma tristeza grande, não apenas pela ida da grande Lygia, mas quando pensei que aquela imagem simples, em preto e branco, resumia uma era infinitamente mais brilhante do que a atual.

Pensei em Machado de Assis, que, curiosamente, despediu-se desse mundo em 1908, o mesmo ano em que nasceu Guimarães Rosa, talvez os dois maiores luminares de uma constelação que reunia nomes como José de Alencar, Érico Veríssimo, Mário Quintana, Vinicius de Moraes, Clarice Lispector, Cecília Meirelles, Villa Lobos, Tom Jobim e tantos, mas tantos, outros, que viveram e deixaram suas marcas no Brasil entre as segundas metades dos séculos 19 e 20 – período que formou a nossa verdadeira Era de Ouro cultural.

Hoje o cenário é mais do que árido: se fosse apenas isso, ressequido, seco, ainda haveria a esperança das águas de março fertilizando novamente a cultura de um país que já foi riquíssima.

Mas não: para onde quer que se olhe, o que se vê é uma paisagem desolada e estéril, na qual a cultura profunda, inovadora e generosa que foi gestada e vicejou no Brasil, entre os séculos 19 e 20, foi abandonada e vilipendiada, trocada por literatura e música panfletárias, ideologizadas e pervertidas – no pior sentido da palavra.

Quando penso nas obras magníficas deixadas por Mários e Lygias, Clarices e Tons, Machados e Rosas, penso que a cultura brasileira atual, como podemos chamar em falta de nome mais adequado, pode ser resumida em um verso de “Águas de Março”, do genial Tom:

É apenas pau, pedra: o fim do caminho.

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Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

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