22 de julho de 2024
Ilmar Penna Marinho

Blusinhas em alta e saidinha em baixa

Enquanto o país se mobiliza para socorrer os necessitados da tragédia histórica das gigantescas enchentes generalizadas na Capital e nos Municípios do Estado do Rio Grande do Sul, Brasília esteve ocupadíssima com a regulamentação das Blusinhas e das Saidinhas.

É até justificável que o Presidente da República, um ex-condenado por corrupção ativa e passiva, solto sob as benções das Supremas Santidades da Justiça, esteja empenhado em favorecer as saidinhas da prisão, conquanto a inspiração para o nostálgico gesto humanitário de regulamentar as saidinhas se respalda no seu exemplo de bem-sucedido ex-encarcerado.

Sob a égide da ressocialização, uma vez solto da prisão, candidatou-se para o mais alto cargo da República e vitorioso nas eleições, nada mais justo do que glorificar a bendita saidinha.

Hoje, pode mandar ditatorialmente no país, em vergonhosa afronta à democracia brasileira.

O Legislativo deixou de lado pautas importantes para criar e regulamentar a “Taxa das Blusinhas”, como apelidaram o novo imposto das “compras feitas por sites internacionais”.

O Presidente, no início, era contra com medo de baixar mais ainda os 50% da sua popularidade, mas depois apoiou o omisso combate à sonegação fiscal nas competitivas compras internacionais de “até US$ 50”, em atraentes ofertas no comércio eletrônico.

O Congresso Nacional em suas funções legislativas prestou um grande serviço, restringindo as “saidinhas” temporárias da prisão, derrotando o projeto de estimação do Mandatário, que pretendia ampliar as possibilidades das saídas prisionais numa falsa maior reinserção social do apenado.

Com a sua vexatória derrota no Congresso, a mídia passou a noticiar a sua desastrosa gestão, que contabilizou um déficit público de R$ 230,5 bilhões, em 2023, o pior resultado da série histórica, iniciada em 1997, além do declarado rombo estratosférico de R$ 14,5 bilhões nas contas públicas, quando se previa apenas R$ 9,3 bilhões.

Mas, o pior de tudo, são as visitas do Presidente com sua corte em auditórios televisivos para usar e veicular a tragédia do RS, como plataforma para as próximas eleições, haja visto demagógica criação do “ministério de crise” ou “Ministério da Reconstrução do RS”, de braços cruzados.

Que Deus proteja o RS e o Brasil da maldição da demagogia do Planalto.

Ilmar Penna Marinho Jr

Advogado da Petrobras, jornalista, Master of Compatível Law pela Georgetown University, Washington.

Advogado da Petrobras, jornalista, Master of Compatível Law pela Georgetown University, Washington.

1 Comentário

  • Alexandre Monteiro da Silva 14 de junho de 2024

    Mais uma vez venho agradecer,
    por nos alimentar com esses texto esclarecedor sob as diversas manobras desse nosso Presidente, que não para de fazer besteiras.

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