As Faces do Mal: Capítulo 8

livro2

Capítulo 8

A noite transcorreu lenta e pesadamente, envolta em uma estranha bruma de inquietação tanto para Anne quanto para Sophie que, por conta própria, dobrou a dosagem do remédio para dormir. Na manhã seguinte, evitou o assunto quando encontrou Anne na cozinha. As tulipas haviam desaparecido e nem sinal do CD. Sophie nem perguntou por onde andavam.
Anne certificou-se de que Sophie estava bem e saiu para trabalhar. Sophie saiu em seguida, caminhando até a estação do metrô. Tudo parecia estranhamente lento e as ruas vazias. O silêncio matinal era mais intenso do que o normal, ou seria Sophie que sentia a vida à sua volta de maneira diferente? Quando chegou à revista, parecia ter se passado uma eternidade desde que saíra de casa. Sentia-se anestesiada e nem mesmo quando Caroline lhe contou que ouvira seus conselhos e fora ao médico Sophie saiu do seu incomum estado de torpor. Caroline fora diagnosticada com uma hérnia de hiato já em estado avançado e recomendaram-lhe uma cirurgia o que ela, claro, respondeu com garras de fora.
— Nem pensar! Uma coisa é falar com eles, a outra é colocar a minha vida naquelas mãos! — exclamou, tamborilando com as unhas azuis muito compridas sobre o balcão de madeira da recepção.
A teimosia de Caroline, contudo, durou apenas até a hora do almoço daquele mesmo dia quando Sophie desceu e não a viu no saguão. Encontrou-a no banheiro. Ao vê-la se contorcendo de dor encostada à pia ameaçou chamar uma ambulância e a mulher se rendeu. Com lágrimas nos olhos e um medo inconsolável, prometeu que ela mesma faria isso e que talvez aceitasse fazer a cirurgia.
Quando Sophie voltou do almoço, Caroline não estava mais na portaria e nem no banheiro. Em seu lugar havia um jovem − com os cabelos raspados e brincos na orelha − que ela nunca vira antes. Perguntou sobre a recepcionista e o ele lhe disse que Caroline estava de licença por alguns dias por motivo de doença. Sophie esperou que não fosse motivo de doença, mas de cura, e esboçou um sorriso, secretamente.
Quisera ela ter um problema de saúde físico e curável com uma cirurgia. Porém, não havia procedimento cirúrgico que curasse visões, transes e perda de consciência. Um ano antes, estes sintomas levaram Brandon a identificar que, além das visões, ela sofria de derrames múltiplos. Talvez aquele apagão e a confusão mental fossem sequelas daquele período. Sophie resmungou. Ela sabia que tinha que contar tudo ao Brandon o mais rápido possível, o que implicava em contar para Anne e Nancy, também. Talvez não fosse má ideia. Estava mesmo cansada de lutar contra si mesma.
A volta para casa se deu no mesmo ritmo bêbado com o qual passara todo o dia. Seus pensamentos, embora nublados, parecia com aquelas bolinhas de fliperama, ricocheteando no trabalho, depois no email enviado ao namorado de Adrian, no período em que ficou inconsciente e na certeza de que algo muito ruim estava prestes a acontecer. Era muita coisa para se pensar. Assim que colocou os pés em casa, sua mente levou um chacoalhão, dando um tilt geral na máquina.
— Sophi, você pode me explicar o que é isso? — questionou Anne, com uma inflexão exagerada na última palavra, agitando um pedaço de papel.
— Isso o que? — perguntou de volta sem ter a mínima ideia do que Anne estava falando. Precisou recuar um passo para evitar que o pedaço de papel lhe acertasse o nariz.
— Pelo amor de Deus, me diz que você não fez isso!
Sophie puxou o papel da mão de Anne, leu e releu a mensagem impressa, tentando entender como aquilo havia chegado à Anne.
— Por que você fez isso? E por que colocou isso debaixo da porta do meu quarto? Poderia tê-lo entregue a mim, hoje de manhã. Eu não estou entendendo nada!
Sophie entendia menos ainda
— Anne, eu não fiz isso! — exclamou em sua defesa.
— Como assim? Está querendo me dizer que alguém entrou aqui em casa e enfiou isso embaixo da porta do meu quarto? — indagou num tom de voz que beirava ao pânico.
— Não… Quero dizer, isso é impossível. Eu… Eu fiz este email, mas…
— Você… fez? Você fez isso? Ah, não, Sophie… Então…
— Não, espera! Eu realmente escrevi isso e mandei ou acho que mandei…
Eu acho que desmaiei, mas… eu juro, eu não coloquei no seu quarto! — Anne arregalou ainda mais os olhos, com a boca aberta, como se o tempo tivesse congelado a sua expressão de terror.
— Você… desmaiou? Mas… Sophie, que merda está acontecendo aqui?
— esbravejou Anne puxando Sophie pelo braço e sentando-a no sofá ao seu lado como fazem as mães com uma criança muito, muito encrencada. — Me explica isso direitinho — falou.
— Foi ontem, pouco antes de você e o Brandon chegarem. Eu fui correr no parque e, de repente, eu estava em frente ao computador e, pelo que parece eu tinha escrito isso — sinalizou com desdém para o papel nas mãos de Anne — e enviado ao tal cara, o Joseph.
— Ao que parece? — perguntou, confusa. — Eu não estou entendendo. Você fez ou não fez?
— Eu acho que sim, mas… Eu não quis contar a você porque… — Sophie bufou, soltando toda a sua frustração. — Anne, eu estou tão cansada de tudo isso e parece que as coisas só pioram.
— Calma, está bem? Vamos começar do começo… Então, você teve um lapso entre a corrida e este email, foi isso? — Sophie assentiu. — Tá. E depois disso…
— Eu desci e… desmaiei… de novo… Pouco antes de vocês chegarem.
— Ok. E você não se lembra de ter colocado o papel embaixo da minha porta?
— Não — respondeu, sentindo-se cansada. Anne leu novamente o email e suspirou.
— Sophi… por que?
— Eu não sei, droga! Eu não me lembro nem de ter escrito essa merda, quanto mais de ter colocado no seu quarto!
— Você tem que ligar para a Nancy, agora! E eu vou falar com o Brad. Tem que ter uma explicação pra tudo isso. E Deus me livre que não seja coisa pior…
— Anne… — interrompeu Sophie, engolindo uma saliva grossa e amarga.
— Eu acho que sei o que está acontecendo. — Anne ficou encarando a amiga esperando mais detalhes.
— Estive pensando sobre isso, hoje — continuou Sophie. — Eu acho que parte de mim quer muito ver tudo isso acontecendo, sabe. Que a Adrian pague pelo que fez. E pague muito — enfatizou, sem piedade. — E que o Jesse seja perseguido e ameaçado por um namorado ciumento. Ou coisa pior. Mas outra parte quer simplesmente esquecer e seguir em frente. Só que, quanto mais eu tento seguir em frente, mais alguma toma conta de mim e…
— Sophi…
— Espera, Anne, me deixa terminar — Anne se calou. — Eu conheço isso. Eu já senti isso antes, há muito tempo e eu acho que… acho que fiz algo também inconsciente, naquela época.
De repente, todas as sensações, de ambas as partes, se chocaram dentro de Sophie e ela sentiu o coração entrar em um ritmo frenético. Tentou controlar a respiração para que Anne não notasse o seu nível de estresse aumentando, e gotas de suor começaram a brotar em sua testa. A boca secou imediatamente e Sophie se levantou às pressas, esbarrando-se na pequena mesa da sala, tentando chegar à cozinha, o que ela não conseguiria.
— Sophie, você está bem? — perguntou Anne, levantando-se no seu encalço. Sophie parou de repente, de costas para Anne, e sua mão procurou cega por algum apoio. Anne pressentiu o que estava por vir e gritou. — Oh, Deus, Sophie!!!!
A mão de Sophie bateu com força na bancada de madeira, como uma parte morta de um corpo que começava a se desenrolar, numa sequência de pequenos desencaixes que o levaram ao chão bem diante dos olhos da amiga, como fizera dezenas de vezes antes num passado não muito distante.
Sophie não ouviu os gritos de Anne nem viu o desespero da amiga indecisa entre tentar virar o corpo inerte de Sophie ou pegar o telefone e ligar para Brandon. Sophie entrara, violentamente, em outro mundo. Anne não fazia ideia, mas uma cena pavorosa fizera a consciência de Sophie apagar mais rápido do que o normal. Enquanto Anne virava o corpo dela de lado, temendo que ela entrasse em algum tipo de convulsão e se engasgasse, Sophie − em sua mente confusa − corria por uma trilha estreita entre arbustos e árvores.
O chão era de asfalto, o que lhe dava a impressão de estar em um parque. A corrida, porém, não era como as habituais. Sophie fugia de alguém, desesperadamente. Virou-se para trás e viu dois homens que a seguiam, também correndo e rindo debochadamente, certos de que a agarrariam a qualquer momento. Eles usavam máscaras de esquis e aproximavam-se rapidamente.
Sophie ouviu uma voz aguda gritando por socorro. Vinha de dentro dela, embora não fosse a sua voz. Também sentia o seu corpo diferente, mais volumoso e desajeitado embaixo de calças jeans apertadas, e calçava sapatos desconfortáveis de salto fino. Sua respiração era acelerada e desritmada.
Olhou para trás, novamente, e viu uma mão agarrando-a pelos cabelos. Notou que eram negras e fortes. Como se puxasse a crina de um animal, o homem fez um único e brusco movimento e Sophie foi violentamente arrancada de seu percurso. O couro cabeludo fora tracionado de tal forma para trás que ela teve certeza de que parte do seu cérebro havia sido deslocada junto com ele. Com apenas um golpe, seu pescoço se dobrou para trás levando com ele a cabeça, os ombros e todo o tronco. O salto de um dos sapatos se quebrou e Sophie sentiu o pé direito escorregar, enquanto o peso do corpo era puxado para trás e para baixo.
A queda só não foi mais imediata porque o homem mantinha a cabeça de Sophie ainda erguida pelo couro cabeludo, que doía agudamente. Tentou gritar, mas não conseguiu completar a frase.
— SOCOR… — O outro sujeito avançou sobre ela tampando-lhe a boca e puxando o seu corpo para a mata que ladeava o caminho de asfalto. Sophie chutava em todas as direções, mas parecia que seus pés e pernas atingiam somente o vazio.
— Cala essa boca, piranha — falou uma voz grossa e nervosa, soltando finalmente os cabelos de Sophie para agarrar-lhe a boca e o pescoço. — Segura essa vaca direito, porra! — ordenou ao outro que pressionou os dedos com força nos calcanhares de Sophie, puxando-a para baixo novamente, num movimento sincronizado com o parceiro que a forçou ao chão.
As mãos livres de Sophie socavam o ar, procuravam agarrar, unhar, agredir de alguma forma, mas somente conseguia se machucar nos arbustos. A cabeça doía e os tornozelos também. A pesada mão saiu de sua boca e no segundo seguinte virou um punho fechado e certeiro em seu maxilar e, depois, na lateral da cabeça. Ela sentiu os ossos trincarem dentro da boca, enquanto uma risada frouxa ecoou ao fundo. Os ouvidos zuniam. Sentiu pontapés em sua barriga e não tentou mais gritar. Não havia folga entre um pontapé e outro para que ela conseguisse reagir.
— Agora vê se entende o recado, vadia. Se abrir a boca, morre — o bico duro de uma bota estilo militar acertou as suas costelas enquanto as ameaças continuavam. Sophie mal conseguia ouvi-las direito — Se pular fora do barco, morre — outro chute, e o pé escorregou das costelas acertando-lhe o braço, fazendo Sophie sentir o cotovelo dobrar para o lado oposto do que deveria. A fratura emitiu u choque elétrico em todo o seu braço.
E então, houve um momento em que nada aconteceu, mas nem por isso Sophie se sentiu mais segura. Flashes de uma criança esquivando-se dos abusos de um pai violento tentaram ressurgir por uma fenda aberta em uma de suas feridas que os socos e pontapés acabavam de reabrir.
— Por que a gente não aproveita pra se divertir um pouco, cara? — sugeriu a voz debochada e ofegante do que parecia ser o rapaz mais jovem e Sophie ficou alerta, novamente (ou o quanto poderia sobrar de lucidez sob os ferimentos e dores que sentia por toda parte). Náusea e ferroadas pareciam virar seu corpo do avesso e o gosto metálico de sangue enchia a sua boca.
Sentiu duas mãos de dedos finos e longos abrindo o botão da sua calça jeans com violência enquanto mais uma sequência de chutes e socos era desferida pelo outro homem.
— Dá um tempo, cara, senão vai me acertar, porra — gritou o mais jovem, forçando o jeans dela para baixo.
O corpo todo de Sophie tremia em ondas de dor e pavor. Queria gritar, chorar, implorar para que fossem embora, mas o desejo era desconexo com suas ações, como se a mensagem enviada ao cérebro pegassem um atalho qualquer no meio do caminho e se perdessem em uma confusão mental jamais sentida antes.
Sophie não reagia mais, como se não estivesse mais lá. Parecia inconsciente ou talvez morta. Mas os olhos entreabertos, que a esta altura pareciam um traço entre as pálpebras inchadas pela violência, viram quando o rapaz tirou a máscara.
— Coloca isso de volta, seu idiota! — exclamou uma voz mais rouca.
— Cara, ela tá em outro mundo, não tá vendo mais nada… Não é, boneca?
— debochou o homem vindo em cima de Sophie.
Lágrimas lhe escorriam pela face, mas o choro era silencioso, ou Sophie não conseguia ouvi-lo.
Os cabelos castanhos claros do rapaz estavam grudados na testa suada. Ele tinha a pele clara e os olhos também castanhos vidrados que a encaravam com desprezo e fúria. A boca era fina e o sorriso perverso. Sentiu um puxão para trás, quando o homem negro agarrou seus braços para cima e o outro baixou definitivamente seus jeans apertados, fazendo a calcinha descer o suficiente para exibir um púbis de pelos avermelhados e bem aparados. Sophie teve um momento de lucidez.
As mãos do rapaz eram sujas com unhas desiguais. Quando ele puxou a calcinha mais para baixo, ela ergueu a cabeça e encarou suas próprias partes íntimas sentindo as ondas de dor e revolta subirem pelo seu corpo até sua garganta. Não, por favor não… Era só o que conseguia pensar. Os olhos ficaram mais úmidos e embaçados pelas lágrimas e ela quis apenas sumir, desaparecer no vazio da sua quase não consciência. Deu uma última olhada naquele rosto magro e cruel vindo sobre ela e invocou alguma coisa, qualquer coisa dentro dela que parasse tudo aquilo. Procurou se agarrar em algo que fizesse sua força ser maior do que aquele corpo sobre ela, então, baixou os olhos novamente para o seu corpo. Viu algo que alterou tudo à sua volta. Viu a serpente tatuada na virilha e a realidade parecia desproporcional à sua dor. Ali, deitada no chão úmido sentindo as pedras fincarem em suas costas não era Sophie.
Foi como um despertar em sua mente. Ela não estava ali, realmente. Era Adrian e, se ela estava dentro da mente de Adrian podia fazer qualquer coisa.
Foi como mover uma montanha, mas Sophie finalmente conseguiu. Empurrou os joelhos de Adrian para cima e gritou. Acertou a parte mais delicada daquele verme sobre ela e, ao mesmo tempo, ergueu a cabeça com força, acertando o nariz do desgraçado. Não havia mais Adrian, apenas Sophie comandando um corpo que não era seu, através de uma mente que não era a sua.
Se alguém tivesse visto a cena, diria apenas uma palavra: possessão.
Um grito jorrou de sua garganta como um rugido; alto, claro e desesperado, e a cena se desfez em uma explosão avermelhada, com gotas grossas de sangue voando pelos ares no mesmo momento em que Sophie se virava no chão da cozinha, arrastando-se como um animal surrado para o canto mais próximo, chorando desesperadamente entre gritos de fúria.
— Sophie, calma, já passou — disse Anne com sua voz chorosa.
Mas os gritos não cessavam nem menos a fúria com que saíam de dentro da alma castigada de Sophie. Anne teve certeza absoluta de que os vizinhos chamariam a polícia e esperava que Brandon chegasse primeiro.
Aproximou-se de Sophie abraçando-a, contra a vontade da amiga que se debatia insanamente, recusando-se a ser tocada. Anne insistiu e insistiu até que Sophie perdeu as forças, entregou-se às lágrimas, exausta, nos seus braços.
Dois minutos depois, quando já recobrara a consciência suficiente, Sophie teve a certeza de que, mais uma vez, vira uma cena real. Adrian, realmente, corria perigo. Agarrou os braços de Anne e falou, com a voz mais firme que podia, fitando profundamente os olhos verdes da amiga.
— Adrian… — disse num fio de voz — ela foi atacada… dois homens… no parque…
— O quê?
Sophie fechou os olhos buscando em todo o terror da cena algo que lhe desse alguma pista real. Onde estaria Adrian? Quem seriam aqueles homens?
— Minha culpa — murmurou Sophie, lutando para manter a consciência alerta e sair da dor física e da confusão mental características do pós-transe. Precisava raciocinar. Fora real, ela sabia disso. Podia sentir o hálito daqueles homens, o peso de suas mãos e pés sobre ela.
— Minha culpa — sussurrou, ainda tremendo. — Preciso ajudar…
— Sophi, você não fez nada — disse Anne, sem ter a menor ideia do que Sophie estava dizendo. — É só uma visão, já passou. Não é real…
Sophie nem sequer tentou convencê-la do contrário. Estava ocupada demais tentando domar um mundo inteiro de sensações e filtrar o que realmente importava. Repassava a cena em sua cabeça. Concentre-se! Concentre-se no local.
Ouviu o som da campainha tocando. Merda! A falta de silêncio não ajudava. Anne soltou a amiga por um instante e correu à porta fazendo Brandon entrar rapidamente.
— Brad, ela está… Eu não estou entendendo…
— Sophie, você está bem? — perguntou ele, com a voz calma e segura. Sophie continuava sentada, agora abraçada ao próprio corpo, com os olhos cerrados. Ela não respondeu. Estava agarrada aos pequenos fragmentos que vira do parque onde Adrian fora atacada. Poderia ser qualquer lugar na cidade. Parecia-se com qualquer trilha que ligasse uma rua a outra em uma colina nos bairros arborizados ou até mesmo um pequeno parque. Era impossível saber e o tempo estava passando. Adrian poderia estar morta já. Ela tinha que fazer algo, tinha que conseguir pegar aqueles desgraçados. Por uma fração de segundo, Sophie visualizou algo em sua mente.
— Eu já sei! — gritou, fazendo Brandon afastar-se dela rapidamente. Sophie levantou-se rápido demais para quem mal conseguia dominar a dor e o medo. Virou-se para Brandon, pegando-o pelos braços com força e falou-lhe com o máximo de exatidão que conseguiu. — Chame uma ambulância… Folkestone Gardens. Tem uma mulher ferida na mata… na trilha… próximo ao lago. — Brandon ficou com as palavras suspensas em dúvidas. Deu um olhar rápido à Anne que não fez menção alguma em discordar. — Brandon, agora!… Ou vai ser tarde… — Virou-se para Anne, que tinha a mesma expressão confusa do namorado, e disse:
— Ligue pra polícia… diz a mesma coisa… por favor…
Sentindo-se mais consciente, conseguiu andar até o sofá, pegou a bolsa e resmungou algo entre os dentes que Anne não conseguiu ouvir. Estava atônita demais pensando no que Sophie acabara de lhe pedir, mas decidiu obedecer e se deu conta de que Brandon já estava ao telefone chamando a ambulância, conforme fora orientado.
— Rápido… Eles não podem escapar! — exclamou Sophie, com firmeza na voz.
— Sophie, espere — falou Brandon assim que desligou o telefone. — Eu sou o seu médico e preciso que você me diga o que está acontecendo antes de irmos a qualquer lugar.
— Brad, por favor — disse em tom quase desesperado.
— Você precisa acreditar em mim! Eu sei do que estou falando — e repetiu com calma, dando ênfase a cada palavra, com todas as forças recuperadas, embora o corpo ainda doesse. — A Adrian acaba de ser atacada por dois homens. Eles a espancaram e, talvez já a tenham violentado. Eu voltei pouco antes de…
— Tudo bem, Sophie — concordou ele. As experiências anteriores não deixavam dúvidas de que ela falava a verdade, ou pelo menos, acreditava que fosse verdade.
— Obrigada, Brad. É melhor irmos com o seu carro — ele não discutiu mais e os três saíram rapidamente. Anne ainda falava com a polícia quando entraram no carro.
— Isso mesmo… Ela foi agredida… Como é que eu sei? É… minha amiga viu. — respondeu, olhando para Sophie sentada no banco de trás. — É… sim… sim… não… sim… — respondia monossilabicamente às perguntas do outro lado da linha.
— Para onde a gente vai? — perguntou Brandon, virando-se para Sophie.
— Para qual hospital vão levá-la?
— Provavelmente ao King’s College.
— Então é pra lá que nós vamos. Espera… tem como passar pelo parque primeiro?
— Tem… — respondeu Brandon, confuso.
— Dá pra você explicar toda essa confusão de uma vez? — pediu Anne, irritada, assim que desligou o telefone. — Eles devem achar que eu sou louca ou algo assim.
— O importante é que eles peguem aqueles filhos da puta — respondeu com a mesma irritação de Anne, com a diferença de que tentava, secretamente, combater a dor que sentia por todo o corpo, a náusea e a sensação de que o cérebro iria explodir a qualquer momento. E mais. Estava assustada com o que fizera durante a visão. Será que havia mesmo conseguido forçar o corpo de Adrian a dar aquele chute e a cabeçada?
— Que merda, Sophi, o que está acontecendo?
— Anne, eu não tenho dúvidas do que eu vi — olhou fixamente para os olhos verdes de Anne e afirmou. — Eu vi a Adrian sendo atacada por dois homens naquele parque.
— Você tem certeza? — as palavras mal haviam saído e Anne já se arrependera, como sempre. — Quer dizer… Como você pode ter tanta certeza de que não foi apenas mais uma visão? Como você sabe que foi real?
— Porque foi, droga! Eu não posso explicar isso, Anne, mas foi! — Sophie pôde quase sentir os golpes novamente em seu corpo. A pressão das mãos em seus calcanhares e pulsos, os olhos castanhos do rapaz… — E quer saber mais?
— emendou Sophie. — Eles não fizeram isso à toa. Alguém os contratou para fazer aquilo com ela.
— Quem? — perguntou Brandon olhando Sophie pelo retrovisor.
— Acho que foi o namorado dela…
— Depois eu te explico — interveio Anne a Brandon, dando a Sophie um olhar recriminatório.
— Ele deve ter ficado muito puto com o que eu mandei pra ele e…
— Sophi, não pode ser…
— Você não acha muita coincidência, Anne?
— Será que dá pra vocês me contarem que negócio é esse? — interrompeu Brandon, buzinando para o motorista de um ônibus que acabara de invadir a sua pista.
— O Jesse e a Adrian… — começou Anne, meio sem jeito.
Sophie continuou.
— Eu descobri que eles faziam um “sexual virtual” sigiloso com direito a vídeos e fotos eróticas…
— … da própria Adrian — completou Anne, fazendo de conta que ainda não havia contado tudo a ele. Claro que contara. No mesmo dia. Ele só não sabia ainda do desdobramento.
— E eu mandei tudo, fotos e vídeos, para o namorado dela.
— Mandou o email durante um transe, ou melhor, um “breve período de perda de consciência” — ironizou Anne.
— É. De umas três horas, eu acho — concluiu Sophie.
— O que? — gritou Brandon. — Perda de consciência? Sophie, você fez essas coisas e não se lembra, é isso que vocês estão querendo me dizer? — indagou, encarando Sophie pelo retrovisor e dando olhares recriminatórios para Anne ao seu lado.
Sophie não respondeu. Estava mais preocupada com Adrian e com a sua culpa pesando-lhe sobre os ombros do que com o sermão que Brandon estava prestes a lhe dar. Ao menos a polícia já havia sido avisada e, provavelmente, já estariam por lá.
— Sophie, você não pode esconder uma coisa dessas! Eu sou o seu…
—… médico, eu sei. Desculpe, Brad — murmurou, do banco de trás com o pensamento distante.
— Sophie, Sophie… — resmungou ele, esfregando a mão pelos cabelos claros, visivelmente chateado, preocupado e nervoso.
— Agora vê se entende o recado… Se abrir a boca, morre… Se pular fora do barco, morre… — murmurou ela.
— O que foi isso? — indagou Anne, com ar de repúdio.
— Foi o que um dos caras falou enquanto a atacava — respondeu em voz baixa, tentando não deixar evidente a vergonha que sentia por ter desejado, dias atrás, que exatamente aquilo acontecesse a Adrian. Seus desejos de vingança haviam se realizado e isso a deixava profundamente aterrorizada.
— Que horror!
— Alguém já tentou ligar para Adrian, por acaso? — perguntou Brandon com tanta simplicidade que Anne e Sophie se entreolharam.
— Eu não! — responderam em uma só voz. — Tenta você, Anne! — disse Sophie e as mãos pequenas e ágeis da amiga já arrancavam o celular da bolsa, correndo os dedos pela lista de contatos. Levou o aparelho ao ouvido com os olhos fechados rezando para que Adrian atendesse com a sua voz irritantemente fina. Mas nada. Caiu direto na caixa postal.
— Tenta de novo — falou Brandon.
Anne ligou novamente e dessa vez deixou um recado. Não custava tentar. Eles  se  aproximavam  da  entrada  principal  do  Folkestone  Gardens  a caminho do hospital quando o som estridente da sirene de uma ambulância partiu em algum lugar muito próximo. O veículo apontou na saída do parque e Sophie sentiu o estômago se contrair. Sabia que Adrian estava lá dentro entre a vida e a morte, e não havia nada que ela pudesse fazer para impedir o pior.
Para onde havia ido aquele sentimento de ódio mortal que sentira por ela até horas atrás? Em que se transformara o desejo incontrolável que surrá-la até a morte, de feri-la de todas as maneiras possíveis? Sentiu-se mesquinha e infantil só de pensar naquilo. Foi tudo culpa minha, pensou, enquanto Brandon seguia a ambulância até o hospital, próximo dali. Anne e Brandon não comentaram nada, apenas se entreolharam preocupados.
Havia uma única coisa que Sophie poderia fazer. Pegou o celular e ligou para Paul. O chefe do Departamento de Menores não era a pessoa mais adequada a quem reportar uma agressão física ou tentativa de estupro, mas sendo Paul a única pessoa que ouviria o seu relato sem questionar − e sendo ele, também, alguém ligado à polícia −, pareceu-lhe o mais indicado a fazer.
— Isso mesmo, Paul — continuou Sophie, após uma descrição sucinta da agressão. — Um era loiro e o outro, negro. Posso reconhecer o rapaz branco, mas o negro não. Se eles analisarem as câmeras poderão ver os dois juntos e…
— Deixa comigo, querida — interrompeu Paul, sabendo exatamente o que fazer. — Ligo para você daqui a pouco
Sophie desligou o celular sentindo-se um pouco mais aliviada, enquanto Brandon já entrava pelo estacionamento reservado aos médicos, no hospital. Brad tomou a frente da situação enquanto Sophie e Anne ficaram no corredor. Ele entrou por uma sala atrás do balcão de triagem e Sophie sentiu o coração apertar. Suas mãos suavam com os dedos entrelaçados aos de Anne, que tremia igualmente.
— Por que ele está demorando tanto? — resmungou Sophie depois de apenas alguns minutos e Anne não respondeu. Mordia os próprios lábios, aterrorizada, observando a calma das enfermeiras caminhando pelos corredores, acostumadas àquela rotina. Anne sentiu um forte aperto em seus dedos e, imediatamente, olhou para Sophie que encarava Brandon vindo ao encontro delas.
— Oh, meu Deus… — murmurou Sophie. — por favor, me diga que ela está viva… — Anne engoliu com dificuldade.
— Você tinha razão, Sophie. Adrian foi atacada — disso ela já sabia e, mesmo assim, sentiu que parara de respirar. — E ela não está nada bem… Eu sinto muito — o chão acabara de sumir sob os seus pés.
— Nada bem como? — perguntou Anne.
— Estão fazendo os exames preliminares, mas até onde pude saber, já foram constatados traumatismo craniano, frturas múltiplas e possível hemorragia interna — Anne gemeu e Sophie continuou calada, sentindo as lágrimas subir-lhe aos olhos. — Eu já volto — disse, já se virando e seguindo de volta pela mesma porta da qual viera.
O telefone de Sophie vibrou na sua outra mão e ela quase não o atendeu, até ver quem era.
— Paul, eu não sei se ela vai sobreviver… Por favor, Paul, diga que vocês pegaram os filhos da puta… — suplicou, agora soluçando, enquanto Anne a levava para fora do hospital. Paul falou algo do outro lado que Sophie não entendeu. Ela tremia de cabeça aos pés e apenas soluçava.
— Paul, sou eu, Anne. Você tem novidades?
— Olá, querida — disse ele, com uma voz abatida. Suspirou. — Localizaram as imagens de dois homens saindo do parque pouco depois do horário em que Sophie teve a visão. A descrição que ela me deu bate com os sujeitos nas imagens.
— Oh, Paul, isso é ótimo.
— Pode ser, mas precisamos que ela vá à delegacia porque uma viatura já está perseguindo os suspeitos e logo serão encaminhados para lá.
— Mas tão rápido assim? — Anne não sabia se se sentia aliviada ou preocupada. Sophie não poderia depor no estado em que estava. E mais… — Hã…
— murmurou — temos um problema, Paul. — antecipou.
— Sim, eu sei. Como ela vai dizer que viu o ataque, certo?
— Exatamente… — concordou Anne. — Ela pode dizer que estava no parque, não pode?
— Não. Eles vão investigar se ela diz a verdade e nenhuma câmera terá captado Sophie entrando ou saindo do parque. Eles vão saber que ela está mentindo e os sujeitos serão liberados imediatamente. Sophie pode ser acusada de falso testemunho.
— O que você acha que devemos fazer, então?
Enquanto Anne e Paul tentavam encontrar um modo de fazer o depoimento de Sophie ser aceito, Sophie sentia a cabeça latejar. Adrian estava entre a vida e a morte a poucos metros dali e a única coisa que ela poderia fazer para apontar os culpados era admitir a sua telepatia. Ela sabia que explicações deste tipo não eram aceitas em tribunais. Portanto, precisava de algo mais. Tinha que encontrar uma brecha, uma única prova que ligasse os sujeitos ao crime.
— Temos algum tempo para pensar nisso. Acho que posso conseguir pelo menos vinte e quatro horas depois que eles forem levados. — disse Paul.
— Tudo bem. Nos falamos daqui a pouco — e Anne desligou o celular se dando conta de que Sophie não estava mais ao seu lado. Entrou correndo de volta à emergência e a viu conversando com Brandon.
— … não posso dizer, Sophie — continuou ele, dando sequência a uma pergunta que Anne não ouvira, mas pela reação de Sophie, só podia ser algo ruim.
— Dizer o que? — perguntou Anne.
— Adrian está passando por uma cirurgia, agora. Estão tirando um dos seus rins — falou Sophie, com amargura.
— Oh, Deus… — murmurou Anne, sento envolta pelos braços de Brandon.
— Ela é jovem e pode sair dessa.
Nenhuma palavra poderia amenizar a dor que Sophie sentia dos chutes que Adrian levara nas costas. A dor que Adrian sentira enquanto tentava se livrar das mãos pegajosas daqueles sujeitos. Sophie quis vomitar.
— E quanto ao traumatismo craniano? — perguntou Anne.
— Ela está em coma induzido para preservar as funções cerebrais. É muito cedo para dizer qualquer coisa.
— Eu tenho que fazer alguma coisa… — murmurou Sophie num fio de voz.
— Não — falou Brandon, com firmeza. — Você não tem que fazer nada. Os médicos estão cuidando dela e a polícia vai cuidar dos agressores. Você vai cuidar de você! Eu vou cuidar de você.
— Brandon…
— Por favor, Sophie. Se você se recusar a ser tratada, definitivamente, vou deixar de ser o seu médico. — Anne olhou para Brandon, atônita, enquanto ele continuava sem hesitação. — Como profissional, não posso ver a sua situação e ficar sem fazer nada. Vamos começar os exames amanhã. Você está de acordo?
Sophie pensou em retrucar, motivada apenas pelo desejo de fazer alguma coisa por Adrian, mas sabia que Brandon tinha razão. Não havia outra coisa a fazer senão recomeçar as torturantes sessões de exames.
— Muito bem. Amanhã, às oito da manhã no consultório. Agora, se quiserem ir tomar um chá, eu acompanho vocês. Não teremos notícias de Adrian nas próximas horas.
Anne convenceu Sophie a irem ao café a duas quadras do hospital. Sophie mal se dera conta do quão quente estava o dia. O ar estava abafado e, embora já se passasse das dez da noite, o calor era insuportável. Mal haviam deixado a sala refrigerada do hospital e o suor já lhe escorria pela nuca.
Anne e Brandon caminhavam à frente e Sophie os observava, com os pensamentos tão longe quanto da última vez em que se sentira realmente feliz. Fora uma estupidez arrastar a situação com Jesse e Adrian até aquele ponto. Nada havia acontecido entre os dois, fisicamente, e ela fora infantil demais para perceber isso e agora Adrian se encontrava entre a vida e a morte. Sentiu a cabeça doer e o estômago apertar.
Brandon pediu um café espresso, Anne, um chá gelado e Sophie, um suco tropical. Seguiram com seus pedidos até uma mesa do lado de fora, em uma pequena área descoberta na calçada, e se sentaram. Anne evitou falar do incidente, mas não tinha muito mais sobre o que conversar.
— Sophie, fique calma. Você pode ter salvado a vida da Adrian, já pensou nisso?
— Os médicos disseram que a polícia a encontrou entre uns arbustos. Se não fosse a sua denúncia — emendou Brandon —, ela poderia ter sido encontrada somente horas mais tarde e o quadro dela seria muito pior.
Embora parecesse que Brandon tentasse apenas amenizar a culpa de Sophie, o que dissera era a verdade. Ele somente omitiu os detalhes sórdidos, como o fato de terem encontrado-a com as calças abaixo do joelho, o corpo todo coberto por hematomas, o maxilar fraturado e os olhos como grandes bolas roxas.
Quando o celular de Anne vibrou sobre a mesa, Sophie o agarrou rapidamente.
— Oi Paul, alguma novidade?
— Ah, oi, Sophie. Como você está?
— Estou bem. Novidades da delegacia?
— Sim, pegaram eles Os dois rapazes têm uma longe ficha criminal, mas ainda não temos nada que os ligue ao crime, exceto pelo fato de terem sido filmados saindo do parque.
— Eles saíam correndo ou algo assim?
— Na verdade, sim. Não diria correndo, mas apressados. Tudo indica que foram surpreendidos por alguém e tiveram que mudar os planos na última hora. — Paul esperou por algum comentário, mas como Sophie não fez nenhum, continuou.
— Mesmo que você não possa provar que foram eles, pode ter salvado a vida dela. Só Deus sabe quanto tempo mais eles teriam ficado com a pobre menina…
Sophie não concordava com nada daquilo. Não poderia ser vista como uma heroína uma vez que Adrian havia sido atacada por sua causa.
— Tudo bem, Paul. Se tiver mais alguma novidade, por favor, me avise.
— Claro, Sophie. Acabei de chegar à delegacia e vou acompanhar tudo de perto. Se você se lembrar de algum detalhe, qualquer um que possa ligar os dois à vítima, me avise.
— Pode apostar — suspirou. — Pode apostar…
Sophie desligou o telefone com uma sensação de urgência em seu peito. Estava deixando algo lhe escapar e tinha que descobrir o que era, antes que fosse tarde demais. Sabia que se a polícia os libertasse, jamais colocariam as mãos neles novamente.
— Sophie, por favor, tente relaxar um pouco — falou Anne. — O Brad tem razão. Não tem nada que você possa fazer, agora. Você provavelmente já ajudou muito. — Sophie não respondeu. — Você nem sabe se o que houve com a Adrian tem alguma coisa a ver com o email que você mandou. Não daria nem tempo de alguém planejar algo assim em apenas um dia — insistiu Anne.
— Eu tenho certeza do que eu vi e ouvi. Vou repetir pra você: “Agora vê se entende o recado… Se abrir a boca, morre… Se pular fora do barco, morre…”.
Se isso não é uma represália, juro que não sei o que pode ser.
— Ela tem razão, Anne — disse Brandon, seguido por um olhar reprovador de Anne. — Definitivamente, é um recado, mas o que você não pode afirmar é que seja do namorado dela. Pelo que você me disse, ela tem um comportamento sexual um tanto extravagente.
— Pode ter sido a mando de qualquer pessoa, realmente — concordou Anne, após uma breve pausa.
— Inclusive do namorado dela — emendou Sophie.
— Inclusive, mas como o recado se encaixaria na traição de Adrian? “Se pular fora do barco”? Parece meio fora do contexto, não acham? — questionou, levantando-se para ir ao banheiro, deixando Anne e Sophie cada uma com seus pensamentos e hipóteses rodando em suas mentes.
Assim que ele retornou, voltaram ao hospital. Esperaram por mais duas horas e, quando já se passava da meia noite, convenceram Sophie a voltar para casa. O quadro de Adrian continuava estável e os médicos a deixariam em coma induzido por pelo menos mais quarenta e oito horas.
Sophie entrou no carro pensando que tinha que consertar tudo aquilo, só não sabia como.

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *